TCEAM
Início Colunas Qualificação ética – por Flávio Lauria

Qualificação ética – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário - Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Não me peçam a planilha de cálculo, mas ouso afirmar que existem no Brasil 5% de corruptos convictos e praticantes contumazes de roubo institucionalizado, em relação à população adulta responsável. Eles se distribuem entre o funcionalismo público municipal, estadual e federal, os políticos destes mesmos três níveis e o empresariado, nele incluídos os banqueiros. Essa pequena percentagem, no entanto, produz um enorme estrago econômico, social e ético e solapa a sociedade democrática que estamos construindo. Até que ponto a maioria dos restantes 95%, pobres pecadores veniais, deve ficar de braços cruzados, espíritos paralisados frente ao descalabro provocado por uma minoria desviante?

Em termos práticos, todos ficamos sabendo que sem a conivência do setor produtivo privado e estatal o fluxo de dinheiro escuso fica interrompido. Sem as propinas sobre obras carimbadas, as notas frias de serviços não executados, os empréstimos virtuais, os políticos e os funcionários públicos ficam de mãos atadas. Daí que achamos uma ideia interessante da ONG Ethos a sugestão de se criar uma qualificação ética para as empresas, espécie de selos de qualidade moral, semelhante às ISO 9000 e 14000 e 14001:202. Essa última, enfocando a qualidade dos bens produzidos e do meio ambiente e foco em mudanças climáticas, é hoje condição necessária para a participação em concorrências e possibilitam o veto dos consumidores a produtos que não as ostentam. A implantação dessa nova norma vai exigir das empresas uma governança transparente homologada e auditada, internamente pelos funcionários e, externamente, pelos acionistas e a sociedade. Não vale a pena trabalhar, comprar nem transacionar com instituições desonestas, esse é o mote na nova iniciativa.


O outro ponto da agenda seria no sentido de se aprovarem leis fortes e expeditas de punição de políticos que usarem caixa dois e emendas, com percentuais para si , aparelhando os tribunais eleitorais com auditores capazes de detectar todo tipo de desvio na prestação das contas de campanha. O último ponto da agenda envolveria os tribunais de Contas, cujo papel seria mais formativo e técnico do que político no acompanhamento das contas dos vários níveis do Poder Executivo. Como já dizia um velho rabino cabalista, para instaurar um reino de justiça não é necessário destruir tudo e começar um mundo completamente novo; basta apenas deslocar algumas peças do tabuleiro, modificando as relações. E é disto que precisamos, modificar as relações, já desgastadas, eivadas de vícios e ultrapassadas, começando pela relação governo versus sociedade, dando prioridade ao orçamento participativo, sem hipocrisia e atendendo a demanda da sociedade organizada.

Artigo anteriorOperação apreende 3 toneladas de carne sem refrigeração em Nhamundá
Próximo artigoOperação tapa-buracos avança por bairros e chega à Estrada do Contorno em Parintins

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Correio da Amazônia
Visão Geral de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.