Risco de acidente: Brasil desgovernado na pista – por José Rosha

Jornalista José Rosha do movimento sindical e indigenista - foto: divulgação

Imagine uma avenida de tráfego intenso. Veículos de todos os tamanhos transportando cargas leves, pesadas, pessoas. Cada um em sua pista desenvolvendo até altos níveis de velocidade. De repente, um veículo grande perde o controle e provoca um acidente fenomenal, atrapalhando o trânsito e fazendo vítimas fatais.

É exatamente isso que está acontecendo no Brasil de hoje. Sabermos o que está prestes a acontecer e podemos até prever o tamanho do problema que teremos no futuro próximo.

A máquina estatal dirigida por Jair Bolsonaro está sem controle. Desde 01 de janeiro de 2019 estamos desgovernados. O primeiro indício do desgoverno é a falta de soluções para a economia, travada à força pela operação “lava jato”, em primeiro lugar, e pela overdose de neoliberalismo injetado por Paulo Guedes, atendendo às expectativas do “mercado” – leia-se: grandes conglomerados capitaneados pelo sistema financeiro.

Há fortes indícios de que Jair Bolsonaro nunca quis governar o Brasil de verdade. Fez jogos de cena em todos os momentos, desde a campanha eleitoral, abusando de notícias mentirosas e desviando o foco dos problemas graves com a aparente “burrice” e seus ministros e de seguidores fanáticos que nunca perceberam o tamanho da enganação que ele representava. Sonhava ser o “senhor da guerra” do alto de uma ditadura sustentada por militares e milicianos.

Agora, o veículo está derrapando. E por uma razão elementar: não observar as regras e a direção da pista.

Desde o golpe contra o governo eleito em 2014 as elites que passaram a governar o país procuraram de todas as formas atropelar as leis e, em especial, a Constituição. Porém, com todo esforço feito para desmantelar as instituições, com ataques virulentos ao Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF), não conseguiram e, ao que tudo indica, não chegarão a esse ponto. Apelar para a volta dos militares não faz mais sentido, sobretudo porque já são mais de três mil em postos de todos os escalões e estamos vendo que só reforçam o desgoverno.

Por fim, além da falta de iniciativa para por a economia nos trilhos do crescimento, apareceu mais a pandemia para mostrar a todos que reduzir a presença do estado nos serviços de interesse da população é um erro gravíssimo. O número de mortos pelo Covid-19 está mostrando e só não vê quem não quer e quem não tem o menor zelo pela vida.

Nem o respirador de mais alta tecnologia irá oxigenar o mandato de Jair Bolsonaro. A próxima curva pode ser o cenário do desastre derradeiro: uma tragédia anunciada ou a última chance de ele passar a direção para alguém que retorne à pista com alguma prudência.

*José Rosha é jornalista e consultor dos movimentos indigenistas do CIMI

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