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“Se a BR-319 fosse candidata, ela já seria uma Senadora do Amazonas?” – pergunta o caboclo amazonense

Em uma metáfora, a BR-319 poderia ser eleita se assim pudesse se candidatar - foto: montagem/recorte

A frase que ganhou força nas redes sociais não é apenas provocação. É um retrato direto de uma realidade que se arrasta há décadas, com inúmeros candidatos se aventurando na estrada enlameada e, em muitos trechos, intransitável para angariar simpatia e votos dos seus conterrâneos.

A BR-319 virou sinônimo de promessas políticas recorrentes e entregas inexistentes. Nas eleições de 2026, senadores, deputados e até um governador que muito mal cuidou de assuntos básicos do Estado, se aventuraram tirar ‘uma casquinha’ na popular rodovia BR-319.


Estratégica

Ligando Manaus (AM) a Porto Velho (RO), a rodovia é tratada como estratégica para integrar o Amazonas ao restante do país. Ainda assim, segue sem solução definitiva, atravessando governos, discursos e ciclos eleitorais sem sair do papel em sua totalidade.

É certo que existem entraves, a cobrança também. É fato que a BR-319 enfrenta exigências legais e ambientais, incluindo licenciamento e análise de impactos em áreas sensíveis da Amazônia, mas o impasse prolongado levanta uma questão inevitável no debate público: o problema está apenas na complexidade da obra ou na incapacidade de avançar com soluções viáveis?

Discurso da BR-319

A BR- 319 é uma obra que nunca sai do palanque ao longo dos últimos 40 anos. Virou “personagem” e presença constante em campanhas políticas partidárias, agendas institucionais de orgãos ambientais e pronunciamentos oficiais.

A Rodovia é defendida, prometida, retomada em períodos eleitorais e novamente adiada. Esse ciclo repetitivo consolidou a rodovia como um dos principais símbolos de cobrança do eleitorado no Amazonas e também de perseguição de votos.

É nesse cenário que a frase ganha força: “Se a BR-319 fosse candidata… ela já estaria eleita no Amazonas?”. Certamente que sim, a recordista de votos.

O que passa a ser cobrado agora é, cronograma de entrega, solução juridicamente viável, execução comprovada e conclusão.
A BR-319 não precisa de mais visibilidade e nem de palanque. Isso ela já tem de sobra. O que falta é sair da condição de promessa permanente de campanha.

O certo é que a frase que viralizou, resume o momento político atual e não basta mais ‘dizer que vai fazer’, é preciso mostrar que é possível fazer e, fazer.

Frustração

A leitura é direta trata de um tema com alto reconhecimento e apelo popular, mas que também carrega um histórico de frustração. Não se trata apenas de infraestrutura, trata-se de impacto direto no custo de vida e na competitividade econômica da região.

Enquanto o debate se repete, enquanto os políticos se debatem pelo reconhecimento de ‘padrinho da Rodovia’, os efeitos são sentidos no cotidiano da população: alimentos mais caros, combustíveis com custo elevado, fretes pressionando preços, dependência de rotas fluviais e aéreas.

A BR-319 é a obra que todos prometem, mas ninguém entrega

Entre discurso e abandono, o impasse da BR-319 volta ao centro da política do Amazonas e repete a velha e cansativa história de que todos prometem, ninguém entrega, mas certamente ela é a estrada que expõe os desgaste dos parlamentares do Amazonas.

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