Sem mesmices – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário

Confesso aos caros leitores e leitoras, que iria escrever sobre a pandemia novamente, ou outro assunto mais em voga, a briga para ser o futuro Ministro do STF, agradando o Presidente, sem olhar a vida humana, na liberação de cultos, confesso também que nunca acreditei na capacidade intelectual desse novato no STF, mas resolvi fazer outras elucubrações.

Parido, criado e preservado no século 20, nunca tinha visto o que acontece nos dias de hoje. – E daí? – indagará o leitor. E não apenas ele, mas também eu que agora aqui estou à procura do que dizer a respeito desses solavancos que as mudanças costumam nos aplicar.

No momento, minha situação é esta: a busca de algo que de alguma forma pudesse ao menos distrair o leitor, se não pelo conteúdo ao menos pela forma, talvez pelo título, mas seria baldado a atenção na leitura do texto. Mas está difícil a empreitada, confesso sem rodeios.

As tentativas que fiz até aqui se malograram, não deram mais do que lugares comuns, coisas mil vezes ditas e repetidas pela mídia e por articulistas muito mais bem preparados que eu. A única certeza mesmo que tenho sobre o que irá fazer a diferença deste artigo dos outros é a de que, este é um artigo que não beirará a mesmice. Não sei se o leitor já reparou que, na parte do noticiário nacional e, por vezes, até local nossos jornais impressos beiram certa dose de marasmo.

Os grandes periódicos brasileiros têm quase todos os mesmos provedores, sendo apoucado o retoque que cada veículo dá nas matérias que recebe. Resulta daí certa similaridade pouco convinhável. A abordagem factual do dia-a-dia é próxima de uma narração repetitória. Nos veículos alimentados por agências, por vezes até os erros e equívocos nas notícias denunciam a origem única das composições.

A experiência e a prudência me autorizam a esperar que, em tudo o que está acontecendo, se acerte mais do que erre, pois o que acontecer será decidido e composto por homens e não por santos milagreiros, até porque estes há muito estão em falta no mercado.

Deixando de lado essas especulações que não levam a lugar algum, ocorre-me lembrar que vivemos como se estivéssemos em um picadeiro, como nas artes circenses, nas aventuras do trapézio e da corda bamba. O circo é pródigo de deslumbramentos, dos burlantins, dos magos da risada e da emoção barata. O culto ao circo pode prescindir do equipamento clássico dos picadeiros.

A substância do circo está no ilusionismo, no malabarismo e no exibicionismo estrondoso dos palhaços – o que pode ser praticado em toda parte: nas salas ministeriais e de governo, nas repartições públicas, no plenário das assembleias, no recinto dos tribunais, nas convenções partidárias, e principalmente nos estúdios de rádio e de TV.

O amor ao circo, que ora domina todo o circuito de comunicações, entregou-nos, atados, à exibição dos malabaristas da palavra, aos contorcionistas da razão e aos ilusionistas da promessa fácil. Enfim, enfim… Enfim o quê? Sei lá.

O leitor que me ajude a compor o fim desta crônica que me custou muito a começar e que agora volta me fazer penar para encontrar um jeito de encerrá-la. Mas o que fazer? Já não é novidade que se vive numa sociedade do espetáculo. E o espetáculo tanto pode ser extasiante, sedutor e chamativo, como pode ser ridículo, melancólico e depressivo. É da vida e é do circo. Fizeram da pandemia um circo.

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