
Após mudar de advogado, Vorcaro prepara terceira tentativa de delação premiada. Defesa quer ampliar acesso ao ex-banqueiro e superar impasses com investigadores
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro prepara uma terceira tentativa de colaboração premiada e pretende reiniciar as tratativas com as autoridades responsáveis pelas investigações do caso Master.
A estratégia passa por ampliar o contato dos advogados com o ex-banqueiro e fazer um levantamento detalhado das informações que ele poderá apresentar à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Na mesa de Mendonça
Segundo a analista de política da CNN Brasil Clarissa Oliveira, já há um pedido formal na mesa do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para facilitar o trabalho da nova defesa e permitir uma reformulação completa da estratégia de negociação.
O movimento ocorre depois de tentativas anteriores que esbarraram em três questões consideradas essenciais por integrantes da PF e da PGR: o reconhecimento de crimes por Vorcaro, o esclarecimento sobre os recursos envolvidos no caso Master e a apresentação de informações inéditas que contribuam para as investigações.
O que pode conter na delação
Na delação de Vorcaro, pode conter o envolvimento clã Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, que teve início no dia 13 de maio, após a divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro pede apoio financeiro ao dono do Banco Master para o filme sobre o seu pai que está preso e condenado por tentativa de golpe de Estado.
De acordo com a reportagem do site The Intercept Brasil, Vorcaro acertou um repasse total de US$ 24 milhões para a obra (cerca de R$ 134 milhões à época). Desse montante, R$ 61 milhões teriam sido efetivamente liberados entre fevereiro e maio de 2025.
Entraves
As negociações anteriores não avançaram em três pontos considerados fundamentais. O primeiro envolve a exigência de que Vorcaro assuma os crimes. Segundo a jornalista Tainá Falcão, a cúpula da PGR ficou “irritadíssima” por considerar que o ex-banqueiro não havia feito isso nas tratativas anteriores.
O segundo entrave está relacionado ao dinheiro. Os investigadores questionam tanto o montante que deverá ser devolvido quanto a localização dos recursos desviados no âmbito da fraude investigada no caso Master. Segundo as informações divulgadas, os valores são estimados entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões.
O terceiro ponto é a falta de elementos novos. A PF avalia que as informações apresentadas por Vorcaro até agora já constam do material obtido nos mais de dez celulares apreendidos durante as investigações.
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