
De acordo com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), terras raras são um grupo de 17 elementos químicos da tabela periódica, conhecidos como os lantanídeos, além do escândio e do ítrio. Não sendo escassos, podem ser encontrados em diferentes partes do globo. Sua extração é desafiadora e requer conhecimento técnico e controle ambiental rigoroso devido possuírem propriedades eletrônicas e magnéticas únicas, o que os torna essenciais para tecnologias avançadas. Suas características especiais permitem aplicações em diversos setores estratégicos, desde a indústria de alta tecnologia até a transição energética global. A importância desses elementos tem crescido exponencialmente nas últimas décadas, acompanhando o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes e sustentáveis.
O domínio do conhecimento sobre terras raras representa, portanto, não apenas uma vantagem científica, mas também econômica e geopolítica. Com aproximadamente 21 milhões de toneladas em reservas, o Brasil ocupa uma posição estratégica no cenário mundial de terras raras. Essa expressiva quantidade de recursos coloca o país atrás apenas da China em termos de potencial geológico, representando uma oportunidade única para desenvolvimento econômico e tecnológico. Os principais mananciais e depósitos minerais estão localizados nos estados de Goiás (Catalão e Serra Verde), Minas Gerais, Amazonas (Presidente Figueiredo), Rio de Janeiro e Bahia. Em nosso estado, o grau de exploração do minério é uma incógnita até o momento.
Entretanto, enquanto o Brasil, em 2025, produziu 2.000 toneladas do minério, a produção da China alcançou 270.000 t. Em termos de valor agregado (até 400x ao longo da cadeia), registra-se, segundo o IPT: Concentrado (MREC), entre US$ 5 – 15/kg; Óxidos (separados) US$ 50-300/kg; Ligas (REE) US$ 100-150/kg; Ímã Permanente – US$ 200-600/kg; Motor EV/Turbina – US$ 2.000+/kg. O Brasil encontra-se ainda no primeiro estágio – Concentrado (MREC), comercializado entre US$ 5-15/kg. Por conseguinte, a questão central brasileira não é a disponibilidade de recursos, mas a definição dos elos da cadeia nos quais o país pretende construir vantagens competitivas e as capacidades tecnológicas, industriais e institucionais necessárias para capturar valor econômico e estratégico.
O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE/MCTI) – “Terras raras no Brasil: Estado da arte, cenários e um mapa do caminho estratégico para 2026–2040” – destaca os elementos essenciais para a formulação de políticas públicas, estratégias empresariais e iniciativas de desenvolvimento tecnológico voltadas à consolidação de uma cadeia nacional do minério. A elaboração do estudo mobilizou especialistas de diferentes segmentos da academia, governo e setor produtivo, reunindo competências em geologia, mineração, processamento mineral, separação química, refino, metalurgia, ligas metálicas, ímãs permanentes, materiais avançados, sustentabilidade, economia circular, inovação, política industrial e geopolítica dos minerais críticos.
O documento do CGEE consolida contribuições técnicas de especialistas reconhecidos no setor, incorporando análises prospectivas orientadas à identificação de oportunidades, riscos e prioridades da cadeia produtiva no período 2026–2040, visando oferecer uma abordagem da cadeia de valor do minério e construir um mapa de caminho estratégico (roadmap) para o Brasil no horizonte proposto. O foco desloca-se da simples caracterização dos recursos minerais à compreensão dos desafios, oportunidades e decisões necessárias para que o país possa ampliar sua participação em segmentos de maior intensidade tecnológica e maior valor agregado. O trabalho reuniu competências em mineração, processamento mineral, separação e refino, metalurgia, ligas metálicas, ímãs permanentes, materiais avançados, sustentabilidade, economia circular, política industrial, inovação e geopolítica dos minerais críticos.




