
Sob pressão nas pesquisas, Roberto Cidade usa o cofre estadual para antecipar o 13º salário e, em seguida, encomenda pesquisa para medir impacto do seu pacote de bondade
O governador tampão do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), recorreu a uma das armas mais rotineiras no uso da máquina pública em anos eleitorais: vai pagar 50% do 13º salário para todo o funcionalismo estadual, e medir a sua popularidade via instituto de pesquisas eleitorais.
Em anúncio realizado nesta quinta-feira (23/07), Cidade confirmou a antecipação da primeira parcela do 13º salário e o pagamento do mês de julho para os servidores estaduais, injetando cerca de R$ 1 bilhão na economia do estado entre esta quinta e sexta-feira (24/07).
Urgência política
A manipulação de cifrões bilionários, contudo, carrega um indisfarçável tom de urgência política. A medida é tomada a exatas duas semanas da convenção partidária do União Brasil, marcada para 4 de agosto, que deve oficializar sua candidatura à permanência no Palácio da Compensa.
Desde que assumiu o comando temporário do Executivo, em maio, após a renúncia de Wilson Lima (União Brasil) para disputar o Senado, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) tenta converter a máquina governamental em votos.
Nos bastidores, contudo, o clima é de apreensão: estagnado na casa dos 16% nas intenções de votos. Roberto Cidade não tem conseguido furar a bolha de rejeição e alavancar sua preferência junto ao eleitorado da capital e do interior.
Pesquisa sob encomenda no dia da medida
Para medir o efeito da cartada financeira, a cúpula da pré-campanha de Cidade não perdeu tempo.
No mesmo dia em que anunciou a dinheirama para o funcionalismo, o grupo político encomendou uma nova rodada de pesquisas eleitorais de campo. O objetivo é mapear, em tempo real, se a injeção de R$ 1 bilhão na praça será capaz de provocar um “rebound” numérico e dar o fôlego necessário para que o governador tampão chegue à convenção de agosto com discurso de virada.
A estratégia expõe o uso cirúrgico do calendário orçamentário em favor de um projeto pessoal de poder. Ao transformar um direito do funcionalismo em espetáculo de pré-campanha, a gestão interina escancara a tentativa de usar o cofre estadual para alavancar um nome que, até o momento, patina nas amostragens populares.
Roberto Cidade anunciando o pacote de bomdades:




