Vegetais gigantes levam idoso a virar modelo da Gucci

Gerald Stratford estrelou a campanha da Gucci com tema de jardinagem após sucesso no Twitter. — Foto: Reprodução / Gucci off the Grid

O aposentado britânico de 72 anos, Gerald Stratford, fez sucesso nas redes sociais depois de começar a postar fotos de vegetais gigantes plantados no quintal de sua casa.

Com cerca de 300 mil seguidores no Twitter, o idoso já estrelou uma campanha da Gucci e irá lançar um livro em setembro.

Apesar da conta ter sido criada em 2019, a fama de Stratford veio mesmo apenas depois que a Inglaterra entrou em lockdown, em maio do ano passado. Na ocasião, o aposentado publicou uma foto dele com rúculas enormes.

 Feliz com o retorno, ele não parou mais de postar, criando conteúdos com dicas para quem também gosta de jardinagem e mostrando outros cultivos gigantes, como abóboras, pepinos e cenoura.

Não apenas na Europa, o fenômeno dos vegetais e frutos enormes já foi visto aqui no Brasil, como a batata doce, que pesava cerca de 3,5 kg, em Vitória da Conquista, cidade do sudoeste da Bahia, e a laranja de mais de 3 kg e 30 centímetros de altura encontrada no quintal da casa de uma moradora de Joinville, no Norte catarinense.

Como obter vegetais gigantes

Para obter os vegetais gigantes, não é preciso contar apenas com a sorte. O professor pesquisador da Escola Agrotécnica da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Jandiê Araújo, explica que o mercado de sementes já tem materiais com predisposição genética para gerar vegetais que crescem do tamanho das plantações de Stratford.

Gerald Stratford — Foto: Reprodução/Twitte

Segundo o pesquisador, essa predisposição vem de uma seleção natural das sementes, o que pode induzir o crescimento exagerado do fruto ou das folhas.

A seleção natural, por sua vez, acontece da seguinte forma: um fruto maior nasce, o produtor separa a semente e a usa na plantação e repete o processo até chegar ao gigantismo.

Além disso, são necessárias as chamadas condições favoráveis, que englobam temperatura, umidade relativa do ar e luminosidade adequadas para aquela espécie. É preciso também o fornecimento de água e nutrientes em quantidades suficientes.

Contudo, não adianta aplicar muito adubo, porque isso pode comprometer a saúde das plantas, deixando os seus tecidos mais sensíveis e com menos resistência a infecções. Adubo demais pode resultar também no desequilíbrio entre as estruturas da planta, principalmente com o excesso de nitrogênio, que acaba a matando.

Araújo explica que não dá para prever o quanto o cultivo vai crescer:

“Toda planta tem um ciclo biológico, caso o produtor perceba que a parte comestível (fruto, folhas ou raízes) está com o crescimento exagerado e precoce, é muito difícil dizer se é possível prever o limite de tamanho dessa hortaliça porque não sabemos o que determina o momento em que a planta para de se expandir.”

Laranja com mais de 3 quilos foi encontrada por moradora de Joinville (SC) — Foto: Marciana/ Arquivo Pessoal

Segundo o pesquisador, o fenômeno é mais comum na família das cucurbitáceas, caso da abóbora, pepino e melancia, por exemplo.

Apesar dos vegetais gigantes gerarem curiosidade – e a fama no caso de Stratford – Araújo não os recomenda como negócio:

“O mercado dessas hortaliças gigantes é limitado, assim como seu uso. Como praticamente 98% de sua composição é água e elas contêm relativamente pouco açúcar e pouco amido, falta sabor. Além disso, produzem poucos frutos por planta e também são muito exigentes em nutrientes e água, o que pode tornar um negócio pouco lucrativo e economicamente inviável em larga escala”, explica.

G1

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