
O planeta deve registrar em 2025 o segundo ou terceiro ano mais quente desde o início das medições, segundo atualização do relatório Estado do Clima Global da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados, com os três últimos batendo recordes consecutivos.
De janeiro a agosto, a temperatura média global ficou 1,42°C acima dos níveis pré-industriais, próxima ao recorde de 2024. As concentrações de gases de efeito estufa e o calor dos oceanos continuaram em alta, enquanto o gelo do Ártico atingiu a menor extensão da história e o da Antártida permaneceu abaixo da média.
“Será praticamente impossível limitar o aquecimento global a 1,5°C sem ultrapassar temporariamente essa meta”, alertou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM. Para António Guterres, da ONU, cada ano acima desse limite “aprofunda desigualdades e causa danos irreversíveis”.
Os oceanos seguem aquecendo, acumulando mais de 90% do excesso de calor da Terra. Isso agrava tempestades, acelera o derretimento polar e eleva o nível do mar, que quase dobrou desde 1993 — de 2,1 mm/ano para 4,1 mm/ano.
O gelo marinho do Ártico atingiu 13,8 milhões km² em março e caiu a 4,6 milhões km² em setembro, os menores valores já registrados. Os glaciares perderam 1,3 metro de espessura média anual, o maior declínio desde 1950.
As concentrações de CO₂, metano e óxido nitroso atingiram novos recordes, com o CO₂ chegando a 423,9 ppm em 2024 — 53% acima dos níveis pré-industriais.
O relatório serve de base para as negociações da COP30, em Belém (Brasil), e reforça a necessidade de serviços climáticos e sistemas de alerta precoce, que já dobraram em número desde 2015, mas ainda não cobrem 40% dos países.
Fonte: ONU News




