
Repetição de informações falsas, distorcidas ou não comprovadas virou, por si só, um problema político de credibilidade para Flávio Bolsonaro (PL) e um problema maior para quem quer governar o Brasil
A sabatina de Flávio Bolsonaro na TV Globo deixou um saldo político que vai além das declarações contestadas por agências de checagem.
Banco Master, Daniel Vorcaro, os atos de 8 de Janeiro, mudanças climáticas e economia estiveram entre os temas em que respostas do candidato foram classificadas como mentirosas, falsas, enganosas, imprecisas ou sem comprovação suficiente por veículos especializados em verificação.
Afirmações questionadas
O problema, porém, não está apenas na quantidade de afirmações falsas questionadas nas redes sociais. Para um candidato à Presidência da República, a questão passa a ser outra: até que ponto o eleitor pode confiar nas informações apresentadas por alguém que pretende tomar decisões sobre economia, segurança, política externa, meio ambiente e instituições, se ele não entregou a verdade nas declarações?
Na economia, a preocupação cresce porque Flávio apresentou soluções evasivas para problemas complexos. Disse, por exemplo, que sua eleição poderia gerar confiança suficiente para permitir uma queda rápida dos juros e relacionou diretamente a redução da Selic à abertura de espaço bilionário no Orçamento. Ao mesmo tempo, prometeu ajuste fiscal, redução de impostos e preservação de aposentadorias e salários, sem detalhar de forma convincente como essas medidas seriam conciliadas.
É justamente nesse ponto que a sabatina deixou de ser apenas um teste de comunicação e passou a funcionar como teste de preparo para governar.
Frases de efeito
Um presidente não administra o país com frases de efeito. Precisa lidar com contas públicas, inflação, juros, dívida, investimentos, emprego, comércio exterior e decisões que produzem efeitos sobre milhões de pessoas.
Quando respostas imprecisas ou contestadas aparecem de forma recorrente justamente nesses temas, a discussão deixa de ser apenas eleitoral e passa a envolver capacidade, responsabilidade e credibilidade.
Negacionista
Flávio Bolsonaro também voltou a negar o consenso científico sobre mudanças climáticas e apresentou versões sobre o 8 de Janeiro que foram confrontadas por checagens posteriores.
Se o candidato tem dificuldade de sustentar fatos durante uma sabatina, dificilmente não terá como sustentar decisões quando estiver diante dos problemas reais do país. Entre mentiras e evasivas, a sabatina serviu para expôr crise de credibilidade de Flávio Bolsonaro.




