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Acordos suspeitos e fracassos do prefeito de Novo Airão (Parte II)

Frederico Arruda e dois vereadores (ao fundo) falando de propostas numa noite escura de verão - foto: divulgação
Redação
Escrito por Redação

Quando assumiu ao mandato de prefeito no dia 04 de dezembro do ano passado, o prefeito Frederico Júnior começou fazendo bonito, convocando para um recadastramento todos os servidores ativos da prefeitura, inclusive os afastados, licenciados e cedidos, com ou sem ônus, para quaisquer órgãos.

Mas pecou ao acatar os excessos de pedidos de contratações, que logo ultrapassaram o limite permitido pela lei.

Até a escolha do vereador Daniel Barros da Cruz (PRTB) como seu líder na Câmara, Frederico gozava de boa popularidade, consolidando-se como o “prefeito da renovação”. Mas, a teimosia de manter a indicação provocou mal-estar na confiança do povo e sua notoriedade foi se dissolvendo, só não desabou de vez na preferência popular devido a forte divulgação pelas redes sociais da imagem de um político que assumiu o poder como o “símbolo da mudança, do novo, da transformação”.

O uso contínuo da mídia para promover suas realizações pode ser justificado como mecanismo para desviar a atenção do povo de uma manobra urdida nos porões da Pousada Barão do Rio Negro, para manter a tal “parceria” com o vereador Daniel Barros, considerado um político de virtudes nada republicanas, de reputação moral duvidosa e de flagrante falha de caráter.

Cumpridos os primeiros 100 dias de governo, o prefeito Frederico Júnior, filiado ao MDB do senador Eduardo Braga, já contabiliza algumas decisões administrativas que podem comprometer futuras metas fiscais de sua administração.

Evidente que não terá a reopção com o tempo, porque parte dessas realizações não podem ser apagadas do cenário político do município. Já estão documentadas.

Parceria política com políticos suspeitos

Ao buscar apoio político de vereadores ainda fiéis ao ex-prefeito Wilton Santos (PSDB), Nerita de Castro (DEM), presidente da Câmara de Vereadores, Daniel Barros (PRTB), vice-presidente da Câmara de Vereadores, e Rocicleide Andrade (DEM), 1ª Secretária da Mesa, o grupo já pode dar início à construção de uma trilha de rastros suspeitos.

Quanto a Nerita, ela vem enfrentando batalhas judiciais desde o ano passado para manter-se agarrada ao poder. Recente decisão judicial a seu favor injetou mais oxigênio às pretensões da vereadora, que agora pode respirar mais aliviada no comando da Câmara.

Frederico Arruda e dois vereadores (ao fundo) falando de propostas numa noite escura de verão – foto: divulgação

O que pesa sobre a vereadora é sua conduta política, que sempre foi pela obediência e submissão aos chefes do poder, nunca da vontade popular. A pedrinha no sapato de Nerita é o ex-presidente da Casa Rosivaldo Souza dos Santos, o Professor Massarico (Rede), que pode recorrer da decisão avocando o artigo 37 da Constituição Federal de 1988, que pode lhe dar chances de reconquistar o cargo. Ao pensar nessa hipótese o prefeito Frederico Júnior cai em desespero.

Nada obstante, reunião do Pleno do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) no recente dia 21 de fevereiro deste ano julgou irregular a prestação de contas do exercício de 2016 da vereadora Nerita de Castro Menezes, condenando-a ao pagamento de R$ 299.169,27, entre alcance e multas, no prazo de 30 dias, por danos ao erário.

Há que se pressupor que as diretrizes definidas com a “parceria” poderão levar a gestão Frederico a enveredar por caminhos perigosos. Pode ser o fim político do tão sonhado “prefeito da esperança por mudança”. Quanto a tal “parceria política” com políticos suspeitos, Frederico deve, sim, uma explicação ao povo de Novo Airão, sob pena de ser taxado de mentiroso.

*Gracia Neto é jornalista e professor

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