Apresentador Jô Soares, o ‘Poderoso Chefão’, só se aposenta daqui a uns 25 anos

Jô Soares, sabe tudo do programa/Foto: Reprodução TV Globo
Jô Soares, sabe tudo do programa/Foto: Reprodução TV Globo
Jô Soares, sabe tudo do programa/Foto: Reprodução TV Globo

Francis Ford Coppola não está na direção. Mas o protagonista brasileiro, com 76 anos de idade e 56 anos de carreira, gosta de mandar e tem o poderio, tanto quanto  Don Vito Corleone, imortalizado por Marlon Brando. Willem van Wereelt, diretor e amigo de Jô Soares há mais de três décadas, dá o veredito: “O Jô sabe de tudo o que está acontecendo no programa. Ele é o grande chefe”.

O DIÁRIO acompanhou os bastidores da atração global e ele, de fato, não deixa dúvidas que é o todo-poderoso. Apesar de não ser mafioso e ter ficado  longe do público por 45 dias – tempo em que ficou internado para tratar uma pneumonia –, Jô  usa as palavras como quer e orquestra um a um à sua frente.

Bastidores/ O cenário fica pronto. A produção checa se a plateia está posicionada para recebê-lo. “O Jô já terminou de arrumar a gravata e está subindo”, diz uma das fiéis escudeiras. Dessa vez, não é uma gravata borboleta, mas foi ele quem a escolheu – “acho mais prático a borboleta porque você nunca corre o risco de pingar molho na gravata”, brinca Jô.

O Sexteto solta a clássica vinheta e Jô se ajeita em sua cadeira. “Vem para cá, Ronnie Von”, diz o global. E brinca: “A única coisa que o Roberto (Carlos) tinha inveja de você era do seu cabelo (risos)”. A plateia ri a cada frase. “Pessoal animado, né? Gosto de gente inteligente”, diz Jô, num intervalo.

É ele, inclusive, quem avisa o diretor-geral a hora que quer retornar do break. Jô não gosta de atrasos. Num relógio de bolso, ele  confere o horário. Depois, numa esticada rápida de pescoço, checa se todos estão a postos. Alex Rubio, o garçom, troca as canecas de sua mesa e abre um pequeno sorriso para o patrão. “Deu”, fala Jô, com a voz um pouco rouca. É a vez de Marcelo Médici ser entrevistado. Saudosita, Jô se lembra dos tempos que passava trote para os amigos. Entre eles, o comediante Golias. Jô se emociona ao falar do amigo. Mas deixa claro: “Eu não choro com tristeza, mas choro até com desenho animado (risos). Que gordo louco, né?”.

Questão de saúde/ Num novo intervalo, ele distribui mais tarefas: “Por favor, leva esse recado para o meu maestro?”. O integrante do sexteto lê e fica em silêncio. Num iPad, Jô estuda o restante da pauta. Em seguida, mede a temperatura do corpo. Mas acalma o público: “Calma, gente. Se o ar-condicionado fosse ruim para o organismo, a UTI inteira teria morrido”, diz. E brinca sobre os 45 dias de internação: “Fiquei na ala VIP”.

A plateia ri e obedece as ordens de Jô. “Vamos todos  respirar juntos, bem fundo”, pede. Os suspiros são escutados de todos os lados. “Ele está disposto, né?”, comenta uma jovem, na plateia. E Jô logo mostra que está até bem afiado. “O governo poderia asfaltar o Rio Tietê, né?”

Em seguida, é Bruna Marquezine a enfrentar o Poderoso Chefão. “Ela não está com o Neymar, mas está batendo um bolão”, solta o global. Bruna, é claro, não quer falar mais do relacionamento com o craque. Mas Jô Soares pode tudo. Mesmo falando do ex-namorado, Bruna pede uma selfie com ele. Mais uma vez, ponto do gordo!

Ao DIÁRIO, Jô avisa: ‘Só me aposento daqui a uns 25 anos’

Apesar dos boatos de que a Globo estaria testando o comediante Fábio Porchat, um dos responsáveis pelo fenômeno Porta dos Fundos, para o lugar de Jô Soares, ele garante que não vai se aposentar tão cedo: “Quem sabe daqui a uns 25 anos. O trabalho que se faz com prazer deixa de ser trabalho. Enquanto puder, se tiver mais 25, eu agradeço. Mas se não forem 25, se forem mais 20, tudo bem”.

Nem a concorrência acirrada com Danilo Gentili e  Rafinha Bastos – quase na mesma faixa horária –, faz com que ele  desanime. Para Jô, o que importa, é colocar no ar um formato interessante: “Fazer o programa para mim é sinônimo de vida, diversão e brincadeira. Vou trabalhar cheio de energia e isso é gratificante. O que interessa na hora da entrevista são os convidados e as histórias que eles têm para contar”.

Jô, inclusive, acha saudável que a concorrência invista no formato de talk show. “Na verdade, ele já  existe há muito tempo. O Amaury Jr., por exemplo, o que era? Era um talk show. Já o Ferreira Neto tinha um formato de talk show, de mesa e convidados. Quanto mais talk show tiver, melhor para todo mundo. O bom é exatamente a possibilidade de existir mais trabalho”, diz ele.

E emenda: “O que diferencia um do outro é a pessoa que está atrás da mesa, que dá o perfil de ser de um jeito ou de outro. Por isso que, no mundo inteiro, não existem dois talk shows iguais”.

Jô sabe do assunto. Nem por isso acompanha a concorrência. “Não tive a oportunidade ainda de assistir aos novos. Na verdade, não vejo nem o meu”, diz. De novo, franco.

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