Avião ‘Ferrari’ de brasileiro vai à leilão por sonegação de imposto

Foto: Divulgação/Receita Federal

O Piaggio P180 Avantti II é um turboélice executivo com um design único, seguindo uma prática similar ao que a Ferrari faz em seus carros superesportivos.

O avião chama a atenção pelo motor, que é virado para trás, com hélices propulsoras e não tratoras como é a configuração típica, ele tem também uma asa na parte traseira e conta com os canards iguais aos dos caça Gripen da FAB – esses são pequenas asas na frente da aeronave, que cumprem a função de estabilizadores horizontal.

Este exótico design foi concebido pela Piaggio Aerospace, que tem como investidor Piero Ferrari, único filho vivo de Enzo Ferrari e atual dono de 10% da fabricante italiana.

O modelo chamou a atenção do empresário goiano Djalma Rezende, dono de um grande escritório de advocacia na capital de Goiás. Ele comprou a aeronave em 2012, através da Algar Aviation, num evento que reuniu mais de 500 convidados, dentre eles Felipe Massa, na época piloto de Fórmula 1 da Scuderia italiana. Inclusive, a compra lhe deu direito ao uso de símbolos da fabricante de carros italiana.

A festa virou notícia em vários jornais e Rezende sempre aparecia na TV, sendo a reportagem mais conhecida, aquela sobre seu casamento (acima), que custou, na época, R$ 8 milhões de reais. Inclusive, os convidados para foram transportados até Goiânia a bordo do próprio P180, de matrícula PP-DLA, que acabou sendo uma das atrações do evento.

No entanto, três anos depois veio uma má notícia: o jato foi apreendido pela Receita Federal por suspeita de sonegação de imposto, mas não por parte do advogado, e sim da Algar Aviation.

O imbróglio

A empresa fez uma proposta de venda da aeronave nova para Rezende, que por sua vez fechou negócio, celebrado na festa de entrega. Porém, para a Receita Federal, a Algar alegou que o turboélice seria para uso próprio no ramo de táxi aéreo, sendo adquirido através de leasing (aluguel) da empresa americana SFG Aircraft.

Foto: Divulgação/Piaggio

Com isso, por se tratar de uma aeronave de uso comercial e não privado, e através do regime de leasing e não de venda, estaria sujeita a um regime especial de tributação, onde a Algar estaria pagando bem menos impostos.

O empresário, inclusive, fez três pagamentos antecipados para o jato. Numa reportagem da TV Record ele compartilhou sua versão e explicou que não sabia que não era o dono do avião.

A Algar teria sonegado metade do IPI devido, além de ter vendido um avião do qual não era a dona e que até hoje consta na ANAC como proprietária, mesmo depois do contrato de aluguel entre a Algar e a SFG ter terminado em 2015. Para piorar, com o fim do contrato, o turboélice deveria ter sido devolvido.

Um dos donos do conglomerado mineiro, inclusive, teria admitido depois da apreensão da aeronave, que realmente foi um erro da Algar, já que ela não era operadora do avião. A empresa até chegou a voltar atrás e dizer que não vendeu, mas subarrendou a aeronave. A desculpe, no entanto, não colou e a aeronave agora vai à leilão, a fim de pagar as dívidas devidas.

O leilão já está aberto para propostas e o lance mínimo é de R$ 13,9 milhões de reais. Os insteressados podem ver o lote e dar o seu lance clicando aqui.

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