Deputado quer unir a força dos Estados do Norte pela recuperação da BR-319

Nem motocicletas passam nos atoleiros da BR 319.

Imagem de um trecho da Rodovia BR -319 .
Imagem de um trecho da Rodovia BR -319 .

O deputado estadual Sidney Leite (PROS) anunciou, nesta quarta-feira (07), que irá coletar assinatura dos 23 deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) em um requerimento que será enviado à Brasília, solicitando a retomada das obras da BR-319. O parlamentar defende uma movimentação política para ‘destravar’ o processo de recuperação da rodovia. Para isso, Leite informou que vai articular o endosso do documento com as assembleias legislativas de Roraima e Rondônia.

“Essa é uma bandeira que não pode ser de um deputado, de um político, mas de nós amazônidas, que acreditamos que é possível desenvolver esta região”, disse, durante o Pequeno Expediente, no plenário da Aleam.

Nem motocicletas passam nos atoleiros da BR 319.
Quem se aventura fica preso nos atoleiros da BR 319.

O parlamentar lembrou que, durante 10 anos, a rodovia serviu ao Polo Industrial de Manaus (PIM) para escoamento de produtos, como motocicletas, de acordo com dados da Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agencimento de Cargas da Amazônia (Fetramaz). “Isso possibilitou que tivéssemos, durante algum tempo, um outro modal que pudesse dar suporte e competitividade ao modelo da Zona Franca. Prorrogá-la por mais 50 anos é importante, mas precisamos pensar no desafio que temos, que é a desigualdade da logística. Isso é um item que pesa muito no preço final dos produtos”, disse.

Ainda de acordo com a Fetramaz, para se transportar um contêiner de Manaus a São Paulo, o tempo gasto gira entre 10 e 12 dias, a um custo de aproximadamente R$ 12 mil. De acordo com a federação, com a rodovia, esse tempo diminuiria para 5 dias, possibilitando uma economia de 20% com o transporte.

Nem motocicletas passam nos atoleiros da BR 319.
Nem motocicletas passam nos atoleiros da BR 319.

Momento eleitoral

Sidney Leite afirmou que o ano eleitoral é o momento ideal para lembrar o compromisso que a presidente Dilma Rousseff fez, como candidata à Presidência da República, há quatro anos. “Durante a campanha, a então candidata, e hoje presidente, Dilma Rousseff, veio visitar a BR-319 e disse que se tratava de uma questão de honra. Nosso desafio é entender que não podemos deixar passar esse momento para fazer valer o compromisso assumido, renovando o pacto do Governo Federal com a Região Norte do Brasil”, frisou.

O parlamentar ressaltou que o modal poderá beneficiar, ainda, o escoamento da produção agrícola da Região Centro-Oeste, por meio do porto de Itacoatiara (a 177 quilômetros de Manaus), que é mais próximo do que os utilizados atualmente, no Sudeste do país. “Isso tornaria o transporte desses produtos mais barato, além de fomentar o desenvolvimento do interior do Amazonas, por meio de um porto de escoamento e até mesmo do fomento do polo naval do Estado”, pontuou.

Outra vantagem da viabilização da BR-319, levantada pelo deputado, seria o fomento do turismo, a partir da integração do Brasil com a Venezuela.

Sustentabilidade

Sobre o possível impacto ambiental com a recuperação da rodovia, cuja obra está paralisada atualmente por falta de licenciamento, Sidney Leite defendeu que a rodovia já existe e, mesmo enquanto funcionou, não gerou o desmate desenfreado. “Além disso, a maior parte do terreno às margens da BR-319 é uma vegetação de charco. Não temos ali madeira de lei, por isso, acredito que o impacto será o menor possível. Não estamos discutindo licenciamento para uma nova estrada, mas para uma já existente”, disse.

Além disso, Leite citou a criação de várias Unidades de Conservação, em âmbito federal e estadual, em uma somatória de extensão maior do que a da BR-319, que é de 880,4 km, sendo 859 dentro do Amazonas, e que garantirão a mitigação de possíveis impactos. “Não vejo mais óbice para que o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) lance o edital de recuperação dos 400 km que estão intransitáveis. Falta é vontade política do Governo Federal e, por isso, precisamos pressionar”, afirmou.

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