
Há algo errado quando o governador interino Roberto Cidade (União Brasil) divulga nos ‘portais amigos’, que está quitando os salários atrasados e benefícios dos profissionais da Saúde com verbas que chegaram do Governo Federal, transformando o cumprimento de obrigações básicas em espetáculo político.
Foi o que aconteceu no final da semana passada, quando o governador interino, Roberto Cidade (União Brasil), anunciou a liberação de R$ 127 milhões de dinheiro Federal para quitar dois meses de salários atrasados dos médicos da rede estadual e abriu mesas de negociação com sindicatos para debater reivindicações de agentes de saúde e endemias
Pagamentos atrasados, repasses represados e recursos que deveriam chegar regularmente os funcionários do Estado reapareceram, de repente, cercados de anúncios, cerimônias e discursos de generosidade, como se a população não soubesse que o grupo político de Roberto Cidade, liderado pelo ex-governador Wilson Lima (União Brasil) não fosse o causador do caos.
Dinheiro público não é presente eleitoral.
Governador não tira recursos do próprio bolso. Deputado não financia obras com patrimônio pessoal. Senador não presenteia municípios quando destina emendas.
Todo valor aplicado na saúde, na educação, no transporte, na segurança ou na infraestrutura pertence à sociedade e para ela deve ser retornado ou o governador correr o risco ser enquadrado na Lei de responsabilidade fiscal.
Bomdade ou desgaste político
Por isso, pagar médicos, como aconteceu com grande alarde no final da semana passada, garantir a meia-passagem dos estudantes, abastecer hospitais, equipar delegacias e investir na economia não são favores. São deveres administrativos.
Quando um governo deixa essas obrigações se acumularem e somente libera recursos após pressão popular ou na proximidade de uma eleição, surge uma dúvida legítima: o pagamento aconteceu porque o problema foi reconhecido ou porque o desgaste político ficou grande demais?
Dinheiro público não tem dono nem partido
Não pertence a Wilson Lima, Roberto Cidade ou a qualquer outro governante. Também não pode ser usado para criar gratidão eleitoral ou a falsa impressão de que a população deve favores aos gestores. E obrigação cumprida com atraso não deve virar propaganda eleitoral.
Da redação




