
O documentário Amazônia, A Nova Minamata?, dirigido por Jorge Bodanzky (Iracema, Uma Transa Amazônica), estreia nos cinemas em 4 de setembro, com distribuição da O2 Play. O filme acompanha a luta do povo Munduruku para conter os efeitos do garimpo ilegal em seu território e alerta para os riscos da contaminação por mercúrio, que ameaça toda a região amazônica.
Coproduzido por Globo Filmes, Globonews e Ocean Films, com produção de Nuno Godolphim e João Roni e Walter Salles como produtor associado, o longa mescla ciência e drama humano. Bodanzky destaca que o projeto é um dos mais importantes de sua carreira, por evidenciar os impactos do mercúrio nas novas gerações amazônicas.
Gravado entre 2016 e 2021, o documentário mostra relatos de médicos sobre crianças com problemas neurológicos e segue a história do desastre ambiental de Minamata, no Japão, quando a contaminação por mercúrio provocou mortes e má-formação em crianças. Sobreviventes japoneses enviaram mensagens às comunidades Munduruku alertando sobre os perigos da mineração ilegal.
A narrativa acompanha também as pesquisas do neurologista Erick Jennings e da FIOCRUZ sobre os efeitos do mercúrio, enquanto lideranças Munduruku, como Alessandra Korap, mobilizam a comunidade para enfrentar o avanço do garimpo, mesmo diante de ameaças e invasões em cidades como Jacareacanga (PA).
Alessandra Korap é reconhecida internacionalmente por sua atuação na defesa do território. Em 2020, recebeu o Prêmio Robert F. Kennedy de Direitos Humanos e, em 2023, o Goldman Prize, considerado o Nobel do Meio Ambiente. Atualmente preside a Associação Pariri, que representa 13 aldeias do Médio Tapajós.
Para Bodanzky, o documentário não apenas denuncia o impacto ambiental e social da mineração, mas serve como alerta: os efeitos do mercúrio só serão plenamente visíveis nas próximas décadas, deixando um legado de contaminação e prejuízos à saúde da população amazônica.




