É Natal – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário

O Natal, por si e por suas comemorações, geralmente emana um sentimento triste para o povo – digo povo no sentido geral de recolhimento familiar. É meio estranho, mas a verdade se apresenta em quase todos os lares. Alguém que partiu, essa pandemia nos levou amigos e amigas alguns familiares levaram parentes. Saudade daquele amor que passou… O sapato do filho que não foi possível comprar… Vinho na mesa? – nem Dom Bosco sequer…

O peru virou pinto anabolizante… A boneca da vitrine não sorri – nem com pilha… Papai Noel não sobe na favela… Natal é festejo, gente!…Quem acredita no nascimento de Jesus Cristo, deve fazer festa – familiar, é claro, sem aglomerações, infelizmente sem abraços neste ano pela pandemia. Nada de choro nem lamentações.

A vida multiplica-se em esperança mesmo com essa pandemia que nos fez perder o ano de 2020, e muitos amigos e amigas. Quando nasce um herdeiro, os pais, avós e tios abrem whisky, cervejas, champagne, pitus… Seja lá o que for. Quando se comemora aniversário de alguém, tem de tudo. Tem canapé, croquete, caviar, amendoim cozido – torrado, croissant, nozes, rabada e rabanete. Brinda-se com tudo. Festa é comemoração. Por que não exaltarmos o aniversário do nascimento de Jesus? Ele merece sempre, ou não?… Se for contestado por outras religiões, não me importo.

O fato, é que todo ano o mundo se manifesta na vontade de todos os povos em dar vivas ao Natal. Reuniões nas casas enfeitadas de árvores luminosas… Pobres ou ricas. Favelados, hoje, somos todos nós, de qualquer maneira. Filhos ingratos. Irmãos distantes. Pais esquecidos. Companheiros apenas para beira de túmulos – choros hipócritas a ruminar velórios. Amizades já passam ao longe (quem tiver, mesmo que poucas, conservem-nas). Não se faz mais amizade de uma hora para outra – é engodo, falsidade. Forma mais fácil do interesse pessoal predominar nos bares, nas viagens, nos negócios, nas conquistas. É a globalização.

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário

É isso mesmo. Morreu, – que se há de fazer? Acabou-se o sentimento? A melhor reflexão da conformação? Nada disso. A lembrança é a maior dádiva de reconhecimento aos queridos que já se foram. Mas não transformemos em tormentos as perdas familiares, justo durante o Natal – não é o melhor momento. Natal é resignação, é pensar, converter-se à instituição familiar. Soltar rojões de felicidade, transmitir paz aos filhos, netos – não com simples presentes e guloseimas – porém ensejando mensagens de continuidade da fé em Deus (seja lá qual Deus que se tem no coração, menos aquele que pregam na Igreja Universal, usando o santo nome Dele para clientelismo, tomando o dinheiro dos pobres e ignorantes).

Sabem por que o Natal se torna tão triste? Porque a culpa se entranha na consciência da maioria daqueles que não têm coragem de agir. Sim. Agir de verdade. Concitar o vizinho à boa convivência – não, esquecê-lo (ou por ser de outro nível social e econômico – às vezes só um pouquinho abaixo de classe). Incentivá-lo a uma corrente combativa aos larápios que usam esta festa maior da cristandade para sofregar as bestas dos córregos e favelas circunvizinhas a vender tudo e entregar suas últimas economias para uma quadrilha de caras-lisas.

Pensem. Em toda a periferia as crianças esperam um Papai Noel (até na sua casa, não esqueça). Esse velhinho é você – jovem pai, velho tio, conscientes e amadurecidos avós. Joguem fora as encarquilhadas idéias do medo. Façam (ou não) como eu. Rezem (ou não) -, mas encantem o Natal!… Vibrem, congracem, beijem seus queridos próximos.

O mundo é perverso. O Natal é belo. Um Feliz Natal a todos.

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