Me sinto exposta e violada, diz deputada vítima de abuso na Alesp

Deputado Fernando Cury passa a mão na deputada Isa Penna — Foto: Reprodução

A deputada estadual Isa Penna (PSOL) afirmou ontem quinta-feira (17) à CNN que se sente “exposta e violada” após o episódio ocorrido na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), quando o deputado Fernando Cury (Cidadania) foi filmado assediando a parlamentar ao abraçá-la por trás e tocar nos seios dela.

“Eu me sinto absolutamente exposta, eu me sinto absolutamente violada em diversos sentidos. Seja pelas minhas prerrogativas enquanto mulher eleita, pela prerrogativa das minhas funções, exercendo meu trabalho, exercendo meu papel ali, discutindo o orçamento. Eu me sinto enojada”, afirmou a deputada, entrevista pela âncora da CNN Monalisa Perrone.

A parlamentar registrou boletim de ocorrência a respeito do fato, acusando o colega do crime de importunação sexual, que, de acordo com o artigo 215-A do Código Penal, significa “praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”.

“O assédio é uma constante nos espaços políticos de poder”, disse Isa Penna, rememorando a sua vivência também como vereadora de São Paulo, quando ocupou mandato parlamentar enquanto suplente.

A deputada do PSOL afirma que essa banalização de situações como a que foi gravada é perceptível por características da própria cena, que foi gravada durante uma sessão do plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e na frente do presidente da Casa, o deputado estadual Cauê Macris (PSDB).

“Tinham as câmeras, tinha o presidente. E ele se sentiu livre, se sentiu à vontade”, afirma Isa Penna. “Ele não considera as mulheres tão dignas de respeito quanto ele, enquanto ser humano. Ainda que ele não tenha total consciência disso, ele deu uma demonstração clara da onde ele vem, da onde vem essa formação”.

A parlamentar defende uma reação política ao episódio, mas diz ter pouca esperança de que isso se concretize. “Nunca eu vi um deputado sequer sofrer uma sanção”, afirma. “O espaço do parlamento é violento, o assédio é cotidiano”.

cnnbrasil

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