Não teve tiroteio: só um tiro disparado para matar o ex-Capitão Adriano

Adriano da Nóbrega, chefe do Escritório do Crime, a milícia especializada em matadores de aluguel e no provimento clandestino de serviços de ligação clandestina de luz, internet, água, transporte e segurança no bairro Rio das Pedras, tinha sua mãe e esposa contratadas pelo gabinete de Flávio Bolsonaro quando deputado estadual do Rio de Janeiro - foto: arquivo

O jornal Folha de S.Paulo esteve no local onde o miliciano e ex-capitão do Bope, Adriano da Nóbrega, foi baleado em suposta troca de tiros com a polícia.

De acordo com o jornal, o cenário em Esplanada (a 170 km de Salvador) expõe uma série de dúvidas sobre a rede que deu suporte a Adriano e sobre a própria versão oficial da morte dele, que estava foragido havia um ano.

Segundo a versão oficial, Adriano tinha em sua mão uma pistola austríaca 9 mm e foi baleado após reagir a tiros contra a polícia. Ele estava sozinho em um terreno cercado. Nesta segunda (11), moradores disseram à Folha que a ação foi rápida, com barulho de tiros por pouco tempo.

A reportagem identificou apenas uma marca de bala dentro da casa – foto: divulgação

A reportagem identificou apenas uma marca de bala dentro da casa, em uma janela de madeira seguindo a trajetória de dentro para fora.

O jornal revela ainda que a proteção da cena onde Adriano morreu segue precária —situação prejudicial para investigações policiais. O portão principal do sítio em Esplanada estava fechado com uma corrente nesta segunda, mas havia espaços abertos na cerca de arame farpado, e a porta da casa estava aberta, sem isolamento.

“A morte do miliciano Adriano e as incríveis coincidências do clã Bolsonaro permanecem”

O advogado de Adriano disse que ele relatou a preocupação nos últimos dias de que pudesse ser morto como “queima de arquivo”.

A reportagem encerra com uma entrevista com o sociólogo e estudioso das milícias José Cláudio Souza Alves, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e autor do livro “Dos Barões ao Extermínio – Uma História da Violência na Baixada Fluminense” (APPH, 2003), em que remonta as origens das milícias do Rio a partir de grupos de extermínio que atuam desde os anos 1960. Ele questiona a ação policial.

“Uma operação de cerco lida mais com espera, controle e dissuasão do que com um confronto direto”, afirma Alves.

“Estamos falando de um quadro simplificado: um cerco a uma casa no campo. Investiram recursos públicos para desembocar naquilo que é o oposto do desejável. Não dá para falar em operação policial de inteligência, mas sim de estupidez e de ignorância.”

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