
Para cada feminicídio registrado no Brasil em 2025, foram contabilizados 502 casos de ameaça, 182 de agressão física e 79 de perseguição contra mulheres, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23). Em média, o país registra quatro feminicídios e mais de 2 mil ameaças por dia.
No ano passado, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio, maior número da série histórica. Antes da violência letal, também foram registradas altas taxas de ameaça, lesão corporal em contexto de violência doméstica, perseguição e violência psicológica.
Para Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, esses crimes funcionam como sinais de alerta. Segundo ela, a violência costuma começar com controle psicológico, ciúmes, vigilância e isolamento da vítima, evoluindo para ameaças e agressões físicas.
A perseguição (stalking) aumentou 30,1% em 2025, com 123.871 registros, enquanto a violência psicológica cresceu 16,9%, totalizando 60.830 casos. Também houve alta de 16,7% no descumprimento de medidas protetivas. Entre os estados que informaram os dados, uma em cada nove vítimas de feminicídio tinha medida protetiva ativa quando foi assassinada.
As tentativas de feminicídio também cresceram 5,9%, chegando a 4.189 casos. Em São Paulo, os registros aumentaram 8,1%, alcançando 266 vítimas, maior número da série histórica do estado.
Os feminicídios passaram a representar 44,4% dos assassinatos de mulheres no país. Enquanto esse tipo de crime cresceu, os homicídios de mulheres sem classificação de feminicídio caíram 5,5%. Para Brandão, a melhora na identificação dos casos explica parte da alta, mas o crescimento contínuo mostra que a violência de gênero permanece em expansão.
Segundo o Anuário, 79,8% dos feminicídios foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros e 62,5% ocorreram dentro de casa, reforçando o perfil desse tipo de crime.




