
A Polícia Federal investiga um esquema de corrupção na Prefeitura de São Bernardo do Campo (SP) que teria utilizado recursos desviados para pagar despesas pessoais do prefeito Marcelo Lima (Podemos) e de seus familiares. Segundo o inquérito, o operador financeiro Paulo Iram Paulino de Costa seria responsável por administrar o dinheiro ilícito, custeando contas como faturas de cartão de crédito, telefonia, viagens internacionais e mensalidades da faculdade de medicina da filha do prefeito, no valor de R$ 8 mil.
O relatório, ao qual a Record teve acesso, descreve que o controle dessas movimentações era feito de forma “marcadamente informal”, com registros manuscritos em blocos de anotações. Um dos apontamentos cita um saldo inicial de R$ 1,8 milhão, com saídas para itens como “Personal”, “Lixo”, “Saúde” e “APTO”, variando de R$ 5 mil a R$ 22 mil.
Entre os pagamentos identificados está a emissão de uma passagem aérea para a esposa de Marcelo Lima, com destino a Washington (EUA), comprada de uma companhia americana. O documento também registra que a filha do prefeito, mesmo beneficiada com o Auxílio Emergencial durante a pandemia de Covid-19, teve parte de seus estudos pagos com recursos desviados.
As conversas entre Paulo Iram e Marcelo Lima, obtidas pela PF, ocorreram entre julho e dezembro de 2022 e indicam uma relação de subordinação financeira: o prefeito solicitava pagamentos e o operador os executava, inclusive usando contas de terceiros. As mensagens eram configuradas como temporárias e se apagavam automaticamente, o que, para os investigadores, demonstra tentativa de ocultar provas.
Outro ponto revelado é a discussão sobre nomeações políticas. Em uma das conversas, Marcelo Lima e Paulo trataram sobre cargos na Assembleia Legislativa de São Paulo. No mesmo dia, Paulo foi nomeado assessor de um gabinete e a esposa do prefeito também chegou a figurar na lista de assessores por um período.
Para a PF, Marcelo Lima atuava como articulador central do esquema, enquanto Paulo Iram era o executor das transações ilícitas. O relatório conclui que havia um sistema estruturado de arrecadação e distribuição de valores ilegais, mascarado por anotações informais e comunicações cifradas, operado sob supervisão direta do chefe do Executivo municipal.
A reportagem busca contato com as defesas dos citados. O espaço permanece aberto para manifestações.
Fonte: R7




