Produção de óleos essenciais é feita no coração da Amazônia

Foto: Divulgação

Confiantes em uma possível mudança de paradigma, o agrônomo radicado em Itacoatiara, Sergio Souza, e o pesquisador paulista, Eduardo Mattoso, uniram esforços para recuperar a produção de óleo essencial de pau-rosa no País, de forma sustentável e legal. Em 2013, deram início ao plantio em uma área nas proximidades de Itacoatiara. Atualmente, o plantio tem aproximadamente 25 mil árvores, com idade entre um e oito anos, distribuídas em 17 hectares.

A produção de óleo essencial de pau-rosa no Estado do Amazonas teve seu auge em meados do séc. XX, quando dezenas de destilarias foram espalhadas nas regiões de Silves, São Sebastião do Uatumã, Maués, Parintins, Presidente Figueiredo e por todo o rio Madeira. A exploração intensa e descontrolada da espécie causou sua inclusão na lista de espécies em perigo de extinção do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), no início dos anos 90, e da Convenção Internacional sobre Espécies da Flora e Fauna Ameaçadas de Extinção (CITES), em 2009.

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Diante do agravante cenário, pesquisadores brasileiros, como Lauro Barata, trouxeram esperança aos mercados de perfumaria e aromaterapia. Professor do Laboratório de Química de Produtos Naturais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Barata, foi convidado pela ONG Pro-Natura para desenvolver um projeto de extração do óleo essencial de pau-rosa a partir de folhas e galhos finos, obtendo rendimento e qualidade semelhantes aos obtidos da madeira.

É esse modelo de extração do óleo de pau-rosa, feito de forma sustentável, respeitando a floresta e sem degradação, que está sendo desenvolvido na destilaria da Kaapi Fragrâncias, que será inaugurada nesta quarta-feira, dia 24 de novembro. Após mais de oito anos de pesquisas e adaptações para a região, a destilaria apresenta uma proposta viável no coração da floresta amazônica, apta a ser replicada por pequenos produtores.

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Inicialmente, a empresa fará a produção dos óleos essenciais de pau-rosa, louro rosa, capim santo e priprioca. Tudo rigorosamente feito a partir de manejo sustentável, que respeita a floresta e a conservação ambiental.

“Estamos implantando um modelo que respeita o meio ambiente e as peculiaridades da região amazônica. Queremos incentivar produtores locais a conhecerem o projeto e fornecerem material vegetal para a usina. Além de gerar renda de forma sustentável, a iniciativa trará outras oportunidades de uso da terra, além daquelas tradicionais na região, como a criação de gado e o cultivo da mandioca.”, comentou o pesquisador, idealizador do projeto e responsável pela Kaapi, Eduardo Mattoso.

Segundo ele, a unidade no Amazonas também incentivará o plantio de outras espécies produtoras de óleos essenciais, por meio de parcerias com produtores locais e com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas (IDAM).

“O apoio do IDAM é fundamental para alcançarmos um número significativo de pequenos produtores e orientá-los corretamente quanto ao manejo adequado, tanto do pau-rosa como das demais espécies aromáticas que compõe o projeto. É um planejamento a médio e longo prazo. Portanto, aqueles que se interessam em aprender a cultivar plantas aromáticas em um modelo de agricultura sustentável e ter garantia de venda da sua produção, podem conversar conosco”, declara Eduardo.

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