Sob influência do La niña, AM tem previsão de chuvas acima do normal até março

Foto: Divulgação

Nos próximos dois meses a previsão é que sejam registradas chuvas acima do normal no Amazonas em razão do La niña. O possível aumento das precipitações colocou autoridades em alerta. Nesta quarta-feira (24), a Defesa Civil realizou a primeira reunião do Comitê Técnico de Monitoramento da Cheia de 2018 com vários órgãos que atuam no monitoramento dos rios e do clima. As ações de resposta à possível enchente foram apresentadas.

O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) prevê chuvas acima da média até março na Amazônia Ocidental. A maior preocupação dos especialistas é que o volume de chuvas poderá ser maior em um período historicamente mais chuvoso.

“A previsão é de chuvas acima da média, pelo menos, nos próximos dois meses. Chuvas acima na média na estação chuvosa, o que representa uma certa preocupação porque já chove bastante na estação chuvosa. Vamos ter o reflexo disso nos rios lá para junho”, explicou o chefe da divisão de meteorologia do Sipam, Ricardo Dallarosa.

Em Manaus, a média de chuva para dezembro era de 300 milímetros, mas choveu mais de 350 mm no último mês de 2017.

Já em janeiro deste ano, o acumulado de chuvas da capital está abaixo do normal, diferentemente das demais áreas do Amazonas. “Na Amazônia Ocidental, como um todo, há muitas áreas com excedentes de chuvas”, disse Dallarosa.

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que faz o monitoramento dos rios, informou que, por enquanto, os rios que banham o estado estão com níveis dentro da normalidade. Porém, a situação pode mudar nos próximos meses.

As previsões sobre cheia do Rio Negro em Manaus serão divulgadas a partir do fim de março. Em 2017, a enchente provocou emergência em 39 municípios. Mais de 65 mil famílias foram afetadas.

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La niña

“De maneira geral, os rios estão dentro da normalidade, apesar dessa tendência de aumentar a precipitação daqui para frente com ocorrência do La niña. Tirando o Rio Madeira, que teve situação de alerta há alguns dias, estamos nessa zona de normalidade. Se as chuvas acontecerem acima da média nesse trimestre, principalmente nesses rios de cabeceira, serão mais afetados porque têm bacias menores. Para região de Manaus, que a (cota) máxima ocorre só em junho, temos que aguardar a precipitação de março, abril e maio”, disse Luna Gripp, pesquisadora em Geociências do CPRM.

O fenômeno meteorológico La niña se forma nas águas do oceano pacífico e influencia a circulação atmosférica em todo o mundo.

Plano de Contingência

Segundo o secretário da Defesa Civil estadual, Fernando Pires Junior, as calhas do Juruá, Purus e Madeira são primeiras áreas afetadas com o aumento do nível das águas. Caso uma grande cheia ocorra, uma média de 17.592 famílias pode ser afetada.

“O plano de contingência de uma provável enchente para 2018 está feito, vai ser colocado em prática em caso de algum município entrar em emergência. Haverá primeiro a participação dos governos municipais e secundariamente do governo do estado”, afirmou o secretário.

O governo informou que adquiriu duas embarcações que atenderão as calhas do Juruá e Médio Solimões. As lanchas serão utilizadas na logística de socorro aos afetados, deslocamento de famílias isoladas, monitoramento de áreas atingidas e distribuição de ajuda humanitária. As embarcações têm capacidade de transportar 10 passageiros e 1.200 quilos de cargas.

Fonte: G1

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