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Universidade Brasileira, investimentos sacrificados em favor de interesses partidários – por Osíris Silva

Escritor e economista Osíris Silva - Foto: Divulgação

A forte descida de degraus das universidades brasileiras no ranking global não configura uma surpresa, mas a consequência de anos de perda de competitividade acadêmica, redução da atratividade da carreira científica e baixo alinhamento entre universidade, pesquisa e desenvolvimento econômico. Conclusões praticamente unânimes entre especialistas que acompanham e avaliam de perto o problema, “o ranking apenas tornou visível algo que já vinha acontecendo há muito tempo. O Brasil perdeu competitividade científica porque investiu menos, valorizou menos a carreira acadêmica e deixou de tratar a universidade como um ativo estratégico para o desenvolvimento nacional”.

O levantamento do Center for World University Rankings (CWUR) avaliou mais de 21 mil instituições de ensino superior e selecionou as 2.000 melhores do mundo. Entre os critérios avaliados estão a empregabilidade de ex-alunos, qualidade do corpo docente, desempenho acadêmico e, principalmente, produção científica. A pesquisa responde sozinha por 40% da nota final, incluindo volume de publicações, relevância dos periódicos e número de citações recebidas pelos estudos desenvolvidos pelas universidades. Foi justamente nesse quesito que o Brasil apresentou os maiores recuos.


Caindo da 117a posição mundial, edição de 2024, para a 133a colocação, a USP é a universidade brasileira mais bem classificada no QS World University Ranking 2027, divulgado em junho. Elaborado anualmente pela consultoria britânica especializada em ensino superior Quacquarelli Symonds (QS), o ranking avaliou mais de 8,8 mil universidades e classificou as 1.504 melhores instituições de 106 países. Na edição 2026, entre as instituições latino-americanas, a USP ocupa a terceira posição na classificação geral, atrás da Universidade de Buenos Aires (UBA), 84a posição, e da Pontifícia Universidade Católica do Chile, 119a posição. Depois da USP, seguem a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na 277a; a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na 367a, e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), na 513a colocação.

O corolário dessa perda de expressão internacional decorre de circunstâncias adversas, a partir da precariedade financeira que vem corroendo as entranhas do sistema universitário do país. Aprovada pelo Congresso nacional em dezembro de 2025, a LOA – Lei Orçamentária Anual (PLN 15/2025) fixou o orçamento total das universidades federais em R$ 6,43 bilhões, cerca de US$ 1,2 bilhão, redução nominal de R$ 390 milhões comparativamente a 2025, ou 7,05% menos do total das disponibilidades de seus recursos discricionários. Os cortes atingem todas as ações orçamentárias essenciais, causando maior precariedade funcional tanto em relação às atividades didáticas quanto ao campo das inversões em ciência, tecnologia e desenvolvimento. Apenas para efeito comparativo, a Universidade norte-americana Stanford e o MIT contam com budgets consolidados de US$ $10.3 bilhões e US$ 10 bilhões/ano para sustentar seus complexos de inovação e pesquisa acadêmica; Harvard, US$ 6,8 bilhões e a New York University (NYU), cerca de US$ 12 bilhões em receitas anuais.

Por mais absurdo que pareça, o Executivo compartilhou junto ao Congresso o desfiguramento do orçamento do ensino superior e de ciência & tecnologia brasileiros. Ao tempo em que promoveu cortes no orçamento previsto para as universidades federais e agências de fomento (Capes/CNPq), ainda mais grave, ampliou a dotação de recursos destinados a emendas parlamentares. Dados do CNPq e TSE demonstram que a União gasta R$ 5,9 bilhões por ano para irrigar o Fundo Eleitoral (R$ 4,96 bilhões), que banca campanhas, e o Fundo Partidário (R$1,2 bilhão), o CNPq, opera com R$ 1,87 bilhão no financiamento de pesquisas científicas. Basicamente, para cada R$ 1,00 investido em ciência, o governo repassa R$ 3,07 ao sistema partidário. Brutal, devastador e criminosa distorção.

Manaus, 31 de agosto de 2026.

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