Violência banalizada – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário

Matéria de capa dos nossos jornais: Homicídios em Manaus atingem o maior índice de todos os tempos. Estamos assistindo a uma verdadeira guerra sendo travada no nosso estado. Os pais andam assustados, pois os nossos filhos estão em perigo nas ruas. Já virou rotina o assassinato de jovens por motivos banais.

As pessoas parecem ter perdido a noção da gravidade da situação que vivemos. As notícias dos jornais relacionadas com a violência já se constituem uma rotina, um assunto normal, como economia, política, cultura, etc. É a banalização da violência. A sociedade fica chocada com os crimes, se mobiliza temporariamente, no entanto, nada de concreto é feito para coibir a matança. As emergências dos hospitais da rede pública estão lotadas de casos intimamente relacionados à violência e uma população crescente de jovens inativos, vítimas da brutalidade vêm crescendo diariamente, ocasionando imensos gastos à previdência social.

Atualmente, homicídio é a maior causa de morte entre os jovens no Brasil. Os programas de TV, do gênero investigativo, estão ficando cômicos. Grande parte de nossa população não mais se surpreende com as reportagens sobre estupros, violência doméstica, sequestros, roubos, homicídios e outros mais. Estes programas que deveriam ser uma fonte de protesto, estão se transformando num novo capítulo de uma novela. É a sociedade anestesiada, não reagindo mais aos estímulos nocivos. Nas ruas e principalmente nos semáforos das principais vias de Manaus, assistimos ao descaso do Estado.

Uma verdadeira mistura de circo e feira ao ar livre. Um circo, onde os artistas nos entristecem, em vez de nos alegrar. Uma feira, onde tudo se vende, entretanto, nada se lucra. Uma verdadeira tragédia, onde meninas grávidas, drogadas, desamparadas, convivem aos nossos olhos, sem nenhuma perspectiva de uma vida digna. Onde meninos, talvez em pior situação, são vítimas da violência cotidiana, encerrando sua vida em plena adolescência. Crianças que deveriam estar nas escolas, aprendendo a ser cidadãos, estão nas ruas aprendendo a ser marginais. E na classe média alta, os jovens dirigem seus carros de sexta para sábado e de sábado para domingo, totalmente embriagados, quem quiser ver o abuso do álcool no volante, é só comparecer ao Posto da esquina da Paraíba com o V-8, lá pelas cinco ou seis da manhã.

Alguns professores de escolas públicas me dizem que a situação nunca foi tão sofrível como agora, pois a violência dentro das escolas também é uma realidade. É uma situação triste, desanimadora, que a cada dia se repete e nós ficamos passivos, enclausurados em nossas casas, ou seja, em verdadeiras prisões domiciliares. Uma significativa parcela dos nossos salários tem de ser obrigatoriamente gastos em segurança. Mesmo assim, não estamos imunes à violência. Se nada for feito, estaremos diante de um caos social. E nós que pagamos os impostos, altíssimos impostos, assistimos passivamente a este filme que parece nunca ter fim.

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