
O tambaqui, um dos peixes mais consumidos na região Norte e símbolo da culinária amazônica, passou a integrar a lista oficial de espécies ameaçadas de extinção do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Classificado como “vulnerável”, o peixe poderá ter a pesca proibida em todo o país caso não seja aprovado um plano de recuperação da espécie dentro do prazo estabelecido pelo governo federal.
A inclusão na lista não determina a suspensão imediata da pesca, mas obriga a adoção de medidas voltadas à recuperação da população do tambaqui. O Ministério do Meio Ambiente concedeu um prazo de 180 dias para a elaboração e aprovação de um plano de manejo, que se encerra em 25 de outubro.
Caso o documento não seja concluído e validado até a data limite, a captura da espécie poderá ser proibida em todo o território nacional a partir do fim de outubro.
A classificação foi baseada em estudos do Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O levantamento aponta uma redução estimada de 43,4% na população do tambaqui ao longo de três gerações, resultado atribuído principalmente à pesca intensiva nas últimas décadas.
A decisão, no entanto, tem sido questionada por representantes do setor pesqueiro e por pesquisadores. Eles afirmam que a avaliação considerou apenas áreas sem proteção ambiental, deixando de fora populações existentes em unidades de conservação e terras indígenas, o que, segundo eles, pode ter influenciado o resultado da análise sobre o risco de extinção da espécie.




