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África está se dividindo e pode dar origem a um novo oceano, dizem cientistas

Foto: Recorte

Enquanto filmes como 2012 e O Dia Depois de Amanhã popularizaram cenários de destruição imediata do planeta, a realidade geológica segue um ritmo bem diferente — e muito mais lento. Cientistas alertam que o continente africano está, de fato, passando por um processo de separação que, no futuro, pode dar origem a um novo oceano. No entanto, essa transformação leva milhões de anos para acontecer.

O fenômeno ocorre na região de Afar, no norte da Etiópia, considerada uma das áreas mais quentes e inóspitas do planeta. Ali, três grandes falhas tectônicas — o Vale do Rift da África Oriental, o Golfo de Áden e o Mar Vermelho — se encontram, formando uma junção onde a crosta terrestre está lentamente se afastando.


Esse processo, conhecido como “rifting continental”, acontece quando placas tectônicas se separam gradualmente, permitindo que o material do interior da Terra suba à superfície. Com o tempo, esse movimento pode criar uma nova bacia oceânica. Na prática, a África está, milímetro por milímetro, se dividindo.

Apesar da grandiosidade do fenômeno, não há motivo para alarde. Estudos mostram que as placas se afastam em uma velocidade extremamente lenta — cerca de milímetros por ano, comparável ao crescimento das unhas humanas. Ou seja, trata-se de uma mudança imperceptível na escala da vida humana.

Para os cientistas, no entanto, a região é um verdadeiro laboratório natural. Locais como a Depressão de Danakil e o vulcão Erta Ale oferecem uma rara oportunidade de observar, em terra firme, processos geológicos que normalmente acontecem no fundo dos oceanos.

Pesquisas recentes também revelaram que uma pluma de material quente do interior da Terra sobe sob a região de Afar, funcionando quase como um “coração” pulsante que influencia a separação das placas. Essa descoberta ajuda a entender melhor como os continentes se fragmentam ao longo do tempo.

Além da geologia, Afar também tem grande importância para a ciência por seu valor histórico. A região abriga fósseis de milhões de anos, incluindo vestígios de antigos ancestrais humanos, como o Paranthropus, ampliando o conhecimento sobre a evolução da humanidade.

Embora o surgimento de um novo oceano ainda esteja muito distante — e nem seja garantido —, o processo em curso reforça como o planeta está em constante transformação. Para os pesquisadores, acompanhar essas mudanças é essencial não apenas para entender o passado da Terra, mas também para prever seus futuros movimentos.

Fonte: R7

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