Another “Pombo” On the Wall – por Isabela Abes Casaca


Pink Floyd - The Wall - FrontNo final da década de 70 a banda inglesa Pink Floyd lançou um dos seus maiores clássicos, o álbum conceitual The Wall, que repercutiu nas vitrolas de outrora e até os dias de hoje repercute nos sons mp3 digitais.

As várias temáticas e interpretações trazidas pelas letras, até nossos tempos ecoam sem se esgotar, as muitas frases das músicas vivem nos cabelos encaracolados das cucas maravilhosas, e faço votos que não se percam no labirinto dos pensamentos poluídos pela falta de reflexão.

Dentre tantas compreenções que podemos ter a respeito da ópera rock, uma das mais simples é a questão do indivíduo que é massificado (ou se deixa massificar)  a fim de apenas compor uma coletividade, uma massa indistinguível, abdicando de sua prerrogativa de pensar por si próprio e posicionar-se.

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All in all you were all just bricks in the wall!

O tema em tela continua muito atual e arrisco-me a dizer que a questão agravou-se. Ao meu ver, as social network trouxeram uma optimização nas comunicações, em tese isto deveria favorecer o diálogo, a troca de ideias e a reflexão, todavia não foi bem o que aconteceu na prática. O que  aconteceu foi que criou-se uma espécie de thinkpol, quando alguém propõe uma ideia destoante do que é aceito pela maioria, o grande contingente costuma tratar o pensamento divergente como crimideia.

Assim o que é compartilhado e aceito massivamente nas redes sociais funciona como um termômetro, ou melhor, um cérebro eletrônico que comanda a tendencia de pensamento dos usuários. O cérebro eletrônico faz tudo, faz quase tudo, faz quase tudo… (mas ele é mudo), o cérebro eletrônico comanda, manda e desmanda, ele é quem manda… (mas ele não anda).

pigeons-on-the-wallIntensificando o comportamento tendencioso de não se posicionar ou elaborar um pensamento por conta própria, estimulando o compartilhamento de mensagens vagas e superficiais, e  também do culto excessivo a própria imagem. Assim as pessoas acabam por comportar-se como another “pombo” on the wall, ficando em cima do muro.

Ficam em suas posições confortáveis, sobre o muro, zelando pela sua imagem superficial, sem exercer o posicionamento. Acontece que, o ato de se expor, de desenvolver mentalidade própria e se posicionar é algo fundamental para o processo de individuação da pessoa, onde ela busca através do exame uma ampliação da sua consciência e do seu saber.

Caso a pessoa não trilhe este caminho ela ficará a margem de si mesma, muito provavelmente será uma imitação fajuta do seu eu mais profundo. E como pastiche não é pistache, não desenvolverá autenticamente o seu potencial pessoal, ficando no superficial e escrava de sua imagem.

Não digo para sermos desleixados, é importante um zelo com nossa imagem, porém sem deixar de aprimorar a nossa essência, como diria Antoine de Saint-ExupéryO essencial é invisível aos olhos.

Então, não seja another “pombo” on the wall! Não tenha medo de arriscar um posicionamento por receio de errar, caso posteriormente você perceba que você está equivocado no que pensa, basta uma retratação, um reconhecimento, afinal… Ser uma pessoa que se posiciona, não é sinônimo de intolerância, arrogância, orgulho, rudeza e falta de educação. Nós devemos nos esforçar para nos posicionarmos dentro de uma educação e humildade…

Enfim, bem sintetiza e nos lembra a Carta à Igreja em Laodicéia: Seja quente ou seja frio, não seja morno.

Coloquemos a cuca pra pensar!

♫ O cérebro eletrônico faz tudo, faz quase tudo… Só eu posso pensar, se Deus existe, só eu, só eu posso chorar, quando estou triste, só eu, eu cá com meus botões, de carne e osso, e falo e ouço. Eu penso e posso, eu posso decidir, se vivo ou morro por que, porque sou vivo, vivo pra cachorro e sei que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro no meu caminho inevitável… ♪

[author image=”http://oi59.tinypic.com/md2p28.jpg” ]Isabela Abes Casaca é graduanda em Direito e integrante do movimento Novo Ágora. Considera-se escritora amadora.[/author]

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