Avião que fez pouso forçado com Huck e família em 2015 tinha peça invertida

Avião que fez pouso forçado em fazenda levava Angélica, Hulck, filhos e babás. — Foto: Walter Barbosa

A investigação criminal sobre o pouso forçado do avião com o casal de apresentadores Luciano Huck e Angélica em Mato Grosso do Sul apontou que uma peça importante do avião, o capacitor, foi instalado de forma invertida e fez o “motor morrer no ar”, em 2015. A aeronave também levava os filhos do casal, babás e tripulação.

A Polícia Civil deve intimar novamente o piloto Osmar Frattini, que pilotava a aeronave. Além de depoimento, a polícia pretende realizar a reprodução simulada dos fatos, utilizando uma aeronave semelhante.

“Quando falamos em Polícia Civil, existe um inquérito que precisa explicar realmente o que aconteceu. Temos uma peça, que é o capacitor de combustível, que foi instalado invertido, de forma errônea, o que já caracteriza falha na manutenção, e com isso, já temos o nexo causal”, explicou ao G1 a delegada Ana Cláudia Medina, responsável pelas investigações.

“A mesma oficina homologada onde foi feita a manutenção desta aeronave, inclusive, já trabalhava com peças usadas. E, na ocasião, o trabalho foi feito pelo mecânico e ainda passou pelo inspetor, que revisou tudo e assinou embaixo”, completou a delegada.

Segundo Medina, quando a Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (Deco) assumiu o inquérito, o motor e outras peças da aeronave já tinham sido comercializadas.

Foto: Alysson Maruyama/TV Morena

“Nós ainda não concluímos porque precisam ser feitas dinâmicas de voo conciliadas com a perícia criminal e o que foi coletado. O piloto deve nos explicar, no cenário, como houve a inversão da peça. Eles constatam a quantidade de combustível e também fazem uma inspeção externa visual, onde verificam o painel internamente, ligam a bateria e lá conferem o nível de combustível, entre outras questões”, explicou.

Conforme a polícia, estes procedimentos são do piloto, não é algo que verificam em manual. “Ele faz o acionamento da bateria, que vai ligar o sistema e dar a indicação do nível de combustível. Na ocasião, ele teria visto que estava meio tanque e colocou o restante para encher, só que a leitura estava errada por conta do capacitor invertido, indicando meio, porém, estava zero. Esse conceito errado fez com que houvesse falha no motor”, ressaltou.

O perito criminal Sávio Ribas, único do país especializado em fator material (segurança de voo), também reforça a tese. “O piloto achou que não tinha combustível na asa esquerda e mandou para lá. O motor então morreu no ar. A tese é que é possível voar apenas com um motor e é justamente isso que foi alegado pelo dono da empresa. No entanto, nós sabemos que teve essa questão do capacitor”, argumentou.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) também levantou hipóteses para o acidente. As informações, no entanto, não podem ser usadas nas esferas administrativas, processuais e penais.

No relatório, está o interrogatório com os pilotos e demais funcionários, onde foi apontado que Osmar não teria reagido a alguns procedimentos de emergência, bem como foi informado que, no local de pouso, não tinha cheiro de combustível e a causa do acidente foi pane seca.

Ao G1 o piloto Osmar Frattini disse que ainda não foi informado da reprodução simulada. “A empresa fechou, mas a oficina deles continua aberta e eu nem sei se está regular. Eu estou atuando como piloto, porém, em outra área, com empresário e pecuaristas muito sensatos, que não questionam qualquer valor de manutenção.

O piloto afirma que se for chamado, irá reiterar o que foi dito sobre a manutenção. “Se eu for chamado, apenas vou reiterar todas as minhas declarações, falando da manutenção. A Medina está fazendo um excelente trabalho, apreendeu o avião e descobriu a inversão da peça. Eu estou disponível para o que a polícia precisar”, afirmou.

Relatório da Cenipa aponta problemas mecânicos em aeronave – Foto: Cenipa/Divulgação

Fonte: G1

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