Brasileiros mantêm interesse em comprar imóvel mesmo com pandemia

Foto: Reprodução

Motivação é apresentada em função da queda de preços e disponibilização de taxas de crédito

Há pouco mais de seis meses, quando o coronavírus chegou ao Brasil, 55% da população pretendia comprar um imóvel, fosse para morar ou instalar um negócio. Meses depois e um total de casos bem maior, a taxa se mantém estável e, inclusive, apresentou um singelo aumento: agora são 56% os interessados em comprar residências. Os dados são do levantamento da Xaza, plataforma de intermediação de processos de compra e venda de imóveis, em parceria com a empresa de pesquisas Toluna.

Entre os interessados em comprar imóveis, apenas 16% pretendem adquirir locações residenciais, enquanto o restante está focado em unidades comerciais. Em relação às pessoas que buscam vender a construção, o índice se manteve em 15% nos dois relatórios.

Realizado com 500 entrevistados em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, o estudo também aponta que 70% dos possíveis compradores pretendem adquirir um imóvel de até R$ 500 mil, 24% buscam por algo entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão e 6% acima de R$ 1 milhão.

Somados ao desejo de aquisição e venda, há meios viáveis de realizar o sonho. A redução da taxa básica de juros da economia, a Selic, faz com que as parcelas dos financiamentos sejam mais suaves, uma vez que os bancos e responsáveis pela concessão do dinheiro repassam esse valor menor aos consumidores – e, consequentemente, potencializa as compras. De janeiro a junho, 133.786 imóveis foram financiados por pessoas físicas no Brasil. Isso representa um aumento de 35,2% na comparação com os seis primeiros meses de 2019.

Esse é o maior crescimento já registrado para o período nos últimos dez anos, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), que usou como base os financiamentos contratados por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

“Há cinco anos tínhamos juros muito altos, desemprego, falta de confiança. Tudo conspirava contra. Agora, por mais que ainda tenhamos desemprego e um certo receio em relação ao curto prazo, os fatores estruturais do mercado, principalmente pelo lado da demanda, seguem firmes. No Brasil, o juro baixo é determinante para impulsionar a demanda no mercado imobiliário”, diz Eduardo Zylberstajn, líder de pesquisa e inovação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômica (Fipe).

Compra x aluguel

Na contramão do que era apresentado antes da pandemia, a população prefere comprar um imóvel do que alugá-lo. Um levantamento do portal imobiliário Imovelweb apontou que a busca por imóveis residenciais em São Paulo cresceu 26% em junho, com uma ligeira alteração de perfil: 57% dos consumidores querem adquirir permanentemente uma casa, enquanto 43% pensam em alugar.

“Atualmente, o cenário está bem atrativo para aqueles que possuem planos de adquirir imóveis, com a menor taxa de juros dos últimos tempos, estabilização de preços, redução de estoques e novas soluções de crédito”, afirma em nota o executivo do Imovelweb, Tiago Galdino.

Com a realização da quarentena, outro fator levado em conta pelos consumidores é o espaço disponível em casa e a segurança no domicílio. Isso porque percebeu-se que a permanência em casa para estudar, trabalhar e promover momentos de lazer é possível, e, sendo assim, surgiu também a escolha por ambientes mais amplos e pela contratação de um seguro residencial, já que os ocupantes do lar ficarão ainda mais tempo nele. Por isso, cerca de 56% dos entrevistados querem adquirir uma casa e 44% seguem procurando comprar apartamentos.

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