
Enquanto o município de Eirunepé luta contra estatísticas desanimadoras na educação, uma cena de desperdício choca os moradores: dezenas de cadeiras escolares foram encontradas jogadas em um terreno particular, nas proximidades do “Motel Escândalo”.
O flagrante, feito por populares e que circula nas redes sociais, revela um cemitério de mobiliário que parece estar em condições de uso ou passível de reforma, evidenciando um possível crime contra o patrimônio público em uma região onde o acesso ao ensino de qualidade ainda é um desafio remoto.
O abandono de materiais escolares em Eirunepé ganha contornos ainda mais graves quando analisamos a realidade local. Localizada a 1.160 quilômetros de Manaus (em linha reta), a cidade, que abriga cerca de 33 mil habitantes, enfrenta barreiras geográficas e sociais severas.
Eirunepé figura historicamente entre os municípios com piores índices de alfabetização e escolaridade do Amazonas. A falta de infraestrutura e materiais básicos nas escolas da zona rural e urbana é uma reclamação constante da população.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Eirunepé é considerado muito baixo (0,563), ocupando posições inferiores no ranking estadual. A educação é justamente um dos pilares que mais puxam esse índice para baixo, refletindo a dificuldade de manter jovens na escola e garantir formação técnica e superior.
Questionamentos sem resposta
Até o momento, não há informações oficiais sobre a procedência do material. A população exige saber se o mobiliário pertence à rede estadual ou municipal de ensino, ou se faz parte do patrimônio de instituições privadas ou religiosas.
O fato de o descarte ter sido feito em um terreno baldio levanta suspeitas sobre a legalidade do ato. Em uma cidade onde o recurso público é escasso e a distância da capital encarece a logística de qualquer insumo, ver cadeiras — ferramentas fundamentais de aprendizado — ao relento é um soco no estômago do contribuinte.
Espaço aberto
Este portal deixa o espaço aberto para que a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), a Secretaria Municipal de Educação de Eirunepé e os órgãos de controle, como o Ministério Público do Amazonas (MPAM), se manifestem sobre o caso.
Seguiremos acompanhando o desdobramento desta denúncia, aguardando que os responsáveis pelo descarte e pelo zelo do patrimônio educacional prestem os devidos esclarecimentos.
Vídeo das cadeiras, feito por pais de alunos:




