Comemorações entre lobos – por Abel Alves

Desembargador Abel Alves.

Ainda jovem e vindo de um lar interiorano, Tefé, com princípios adquiridos na família e, outros, na Universidade, afinal, estudava direito, em Pernambuco, decidi pela defesa dos trabalhadores, mormente, do campo, explorados pelo capital latifundiário, proprietários de vastos plantios de cana, numa verdadeira escravidão humana, idos de 1962.

Era de revoltar e de fazer dó! Com a eclosão do ‘Golpe’ de 64, a luta que começava foi interrompida e passei a perambular por este Brasil, longe dos olhares repressores, pois, segundo eles, era muito ‘perigoso’, defendia o trabalhador e precisava ser preso, o que só aconteceria em 1971.

Desembargador Abel Alves.

Pois bem, com o ideal e a indignação cada dia mais presente, deixei o Acre em 1981 e retornei ao Amazonas, mas já acompanhava os passos do então jovem Arthur Virgílio Neto, candidato a deputado federal, em 1978, quando teve apoio do meu irmão Afonso Alves, em Tefé, e que sempre mereceu o nosso voto.

Na verdade, aqui entra a perplexidade da festejada caminhada dos 40 anos, a criação do MUDA AMAZONAS, que, pelo tempo decorrido, seus valores e programa tenham sidos esquecidos, caminhada alardeada na imprensa ‘blogueira’ local, com efusivos reconhecimentos dos ‘novos’ companheiros – vou usar o chavão do passado -, de ‘lutas e de ideais’. Repassei os olhos, por mera curiosidade, várias vezes, para ter certeza de que não se tratava de alucinação e vi gente estranha. Procurei pelo Mário Frota, Félix Valois, Beth Azize, o prestativo Láudio, Francisco Marques, Raimundo Reis, Prof. Nonato, Serafim, J. Alves, etc. e não os vi e, ainda, busquei na ‘miragem’ do tempo e da saudade nomes e homens de bem – será que estariam nessa comemoração, se vivos fossem? -, da conduta irreprochável de José Lindoso, Raimundo Parente, Jamil Seffair, Alfredo Campos – por favor, atentem para o sobrenome -, como exemplo de homens públicos, a ser seguido e que abraçaram a causa.

Repito, os vivos, não sei se guardam mágoas, pois apenas registro como fato histórico, mesmo porque, na minha convicção ali se encontrava uma autêntica alcateia, a tramar sobre os despojos políticos de alguém, restando a pergunta: de quem? Só o tempo dirá.

*Abel Alves é político, ex-deputado estadual, ex-delegado do trabalho e desembargador anistiado

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