
Instituto de pesquisa existe para medir tendência, captar comportamento do eleitor e traduzir cenários com responsabilidade técnica. Quando falha nesse papel, compromete não só a própria imagem, mas a credibilidade de todo o processo.
Em 2024, o Instituto Veritá se distanciou desse compromisso e passou a chamar atenção não pela precisão, mas pelo acúmulo de erros e projeções desmentidas pela realidade.
O caso de Manaus é um dos exemplos mais claros desse desgaste. No primeiro turno, David Almeida terminou com 32,16% dos votos válidos, contra 24,94% de Capitão Alberto Neto. No segundo turno, confirmou a vitória com 54,59%, enquanto o adversário ficou com 45,41%. Os dados oficiais mostraram um cenário objetivo. As projeções do Veritá, no entanto, apontavam em outra direção e não resistiram ao teste mais básico de qualquer pesquisa: o resultado da urna.
Toda pesquisa pode errar dentro de limites técnicos. O problema surge quando o erro deixa de ser pontual e passa a ser recorrente. No caso do Veritá, os desvios se repetem, os números fogem da curva e os levantamentos acumulam inconsistências que já não podem ser tratados como simples falha metodológica. Quando a distância entre projeção e realidade se torna frequente, o problema deixa de ser técnico e passa a ser estrutural.
O desgaste do instituto não se restringe a Manaus. Em diferentes estados, o Veritá também acumulou questionamentos sobre metodologia, levantamentos contestados e críticas à consistência dos números divulgados. O histórico recente revela um padrão preocupante: projeções frágeis, baixa aderência à realidade e resultados que frequentemente não se sustentam após a apuração.
Sem método confiável, não há pesquisa. Sem transparência, não há credibilidade. E sem credibilidade, levantamento eleitoral deixa de informar.
Vira apenas ruído travestido de estatística





