
A fábrica de números criada às vésperas do fim do 1º turno das eleições gerais no Estado trabalha frenticamente em busca de resultados que nem mesmo os mais fiéis apoiadores acreditam. O pão do Kikão talvez tenha ficado úmido.
Enquanto institutos financiados pela máquina do Estado fabricam “empates técnicos” sob medida, as ruas e pesquisas nacionais revelam um cenário diferente: Omar Aziz isolado na liderança e um segundo pelotão com David Almeida à frente, disputando a segunda vaga.
A temporada de convenções partidárias passou, mas a “massa de manobra” das pesquisas de opinião continua a todo vapor no Amazonas. O eleitor amazonense, já escaldado por históricos de projeções eleitorais que evaporam no dia da votação, assiste agora a uma verdadeira enxurrada de levantamentos estatísticos construídos sob encomenda para desenhar uma realidade artificial.
Forçando a barra
A mais recente peça dessa engrenagem foi lançada nesta quinta-feira (27/08) pelo Instituto Direto ao Ponto. Em um levantamento com a narrativa de um suposto “crescimento fulminante”, o instituto colocou o candidato e governador Roberto Cidade (União Brasil) em um conveniente “empate técnico” com o líder das pesquisas, Omar Aziz (PSD).
O que a divulgação contornou, contudo, são as conexões de bastidor: a Direto ao Ponto figura na lista de empresas pagas pela estrutura de comunicação do Governo do Amazonas e é a mesma prestadora de serviços que assessora o deputado federal Fausto Jr. (candidato à reeleição pela Federação União Progressistas), grupo que compõe a base governista direta de Roberto Cidade.
O fantasma de 2024 e o ‘déjà-vu’ das urnas
Essa tática de “forçar a barra” não é nova. Trata-se do clássico e conhecido “misto quente” da política amazonense: pega-se um candidato rejeitado nas ruas, prensa-se com dados manipulados de institutos dependentes da verba pública e serve-se ao eleitorado como uma inevitabilidade de segundo turno.
Reprise 2024?
O filme é uma reprise exata da eleição municipal de 2024. Naquele pleito, municiado com a maquiagem diária de levantamentos inflados e sustentado pela máquina pesada do governo Wilson Lima, Cidade aparecia nas pesquisas da véspera como nome certo na etapa final da disputa.
Aberta a apuração das urnas, o choque de realidade: Roberto Cidade amargou um modesto quarto lugar, resultado classificado por analistas políticos como uma derrota vexatória diante do abismo entre o “país das pesquisas” e o “país da vida real”.
Os números reais das ruas
Nas feiras, nos ônibus e nos bairros de Manaus e do interior, a sensação do eleitor passa longe do triunfalismo governista. Enquanto a máquina tenta criar um ambiente de vitória para Cidade, o quadro real mostra uma disputa muito mais complexa e indigesta para o Palácio da Compensa.
Enquanto institutos nacionais de grande porte e amostragem independente, como Quaest e Real Time Big Data, apontam Omar Aziz isolado na liderança abrindo uma vantagem confortável na casa dos 12 pontos percentuais, para o pelotão que busca a segunda vaga está “embolado”, mas com vantagem para o ex-prefeito de Manaus, David Almeida, que aperce bem à frente dos demais.
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Kikão, é um tipo de (cachorro-quente), inventado na década de 80, por um sanduicheiro paulista, que tinha um carrinho de lanche no bairro Cachoeirinha. De lá para cá, o cachorro-quente, com alguns aditivos a mais, tem essa denominação única na terra amazonense. A referência, se deu porque acredita-se que o ‘pão que prepararam a pesquisas’ deva estar estragado, molhado e com data de validade vencido.




