
O rompimento político entre o ex-vice-prefeito Marcos Rotta (Avante) e o candidato ao governo David Almeida (Avante) consolida-se em meio a uma intensa troca de acusações de traição e desgaste de bastidores.
Para correligionários e observadores da política amazonense, a saída de Rotta, que pretendia disputar o Senado Federal pelo Avante mas acabou fora da chapa majoritária, já tardava, visto que sua permanência na base governista apenas esvaziava o capital político da legenda sem trazer contrapartidas reais para o grupo.
Desalinhamento majoritário
A avaliação consensual nos bastidores é de que o ex-chefe da Casa Civil sustentou por tempo demais uma aliança que agonizava desde o pleito municipal, deixando de agregar valor eleitoral e acumulando sinais claros de desalinhamento com o projeto majoritário.
A fratura definitiva expôs um profundo racha de narrativas entre as lideranças. Em pronunciamento público, Rotta se mostrou magoado e classificou o desfecho como uma “punhalada pelas costas”, afirmando ter sido enganado sobre sua candidatura ao Senado, mesmo não apresentando resultados concretos que pudessem agregar votos e apoio às candidaturas do Avante.
Acordo para apoiar Roberto Cidade
David Almeida, contudo, partiu para a contraofensiva e rebateu duramente as declarações, argumentando que a justificativa do ex-aliado é falsa, já que a vaga ao Senado havia sido deixada em aberto na convenção partidária.
O candidato ao governo do Amazonas acusou abertamente Marcos Rotta de criar pretextos políticos para forçar sua saída do Avante, tentando se colocar no papel de vítima para camuflar acordo de bastidores que ele já mantinha para apoiar a candidatura à reeleição do governador Roberto Cidade (União Brasil).
Livramento
Entre os membros do Avante, o distanciamento de Rotta foi recebido com um misto de alívio e desdém, sendo abertamente classificado por alas governistas como um verdadeiro “livramento” e a retirada de um fardo muito pessado, que pode deixar o grupo mais dinâmico.
Correligionários apontam que o ex-vice-prefeito já vinha se ausentando de forma prolongada das agendas estratégicas de pré-campanha e mantendo conversas paralelas com a oposição muito antes do anúncio oficial do racha.
Dessa forma, a tréplica de David Almeida apenas chancelou o sentimento interno de que a saída de Rotta resolveu uma situação insustentável, sepultando de vez uma dobradinha que começou vitoriosa em 2020, mas que há muito tempo já deveria ter chegado ao fim devido à total incompatibilidade de propósitos para o futuro do Amazonas.




