
Moradores de Tabatinga (a 1.113 quilômetros de Manaus) relatam mais um descaso na saúde do Amazonas. Médicos que atuam na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade estão abandonando os plantões.
Recentemente, um clínico geral estava no lugar do profissional responsável pelo setor de ultrassonografia da unidade de saúde. Ou seja, o médico estava acumulando funções, o que é comum na escala dos servidores da UPA.
Na unidade de saúde é “normal” acontecer a “Rachadinha de Plantão”. Isso acontece quando um médico recebe do Estado pelo plantão, mas quem realmente trabalha é outro funcionário.
Neste caso, tanto o médico faltoso quanto o que assume o plantão podem estar se beneficiando de um suposto esquema. O que configura falta de respeito com quem trabalha corretamente e com a população.
A unidade é administrada pelo Governo do Estado e passa por dificuldades há anos, como atraso salarial, falta de medicamento e equipamentos. Uma denúncia sobre o caso já foi encaminhada ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) e à Polícia Federal.
Pelas redes sociais, moradores de Tabatinga confirmam o descaso que acontece na UPA. “O atendimento está horrível, as pessoas sofrem por causa das ações de outros”, “Um médico de lá, para receitar os medicamentos ele procura no Google. Eu já passei por ele. Cheguei na UPA com a pressão 162×114. Ele me receitou omeprazol sendo que a dor do meu estômago e devido a pré-eclâmpsia. Eu não aceitei esse medicamento. Só assim eles foram chamar um ginecologista obstetra”, são alguns dos relatos.
“Quando se trabalha com vidas não podemos ser lesados. A população de Tabatinga já vem sendo lesada há anos e ninguém toma uma posição. Até mesmo quando os técnicos e enfermeiros foram reivindicar seus direitos de salários atrasados muitos deles pegaram as contas. Quanta injustiça você não poder lutar nem pelo que é seu”, disse outro internauta.
Até mesmo para leitura de exames não é possível trabalhar na UPA. Os pacientes precisam fotografar as folhas de ultrassom ou raio-X e levar para os médicos analisarem pois não há equipamento adequado.
Medicamentos básicos também estão em falta na unidade de saúde. Os acompanhantes dos pacientes precisam sair da UPA e se dirigir à uma farmácia e comprar o remédio necessário.
Os relatos não param por aí. A população de Tabatinga reivindica seus direitos e pede uma gestão melhor para o governo do Amazonas, que seja capaz de melhorar a saúde do Estado.




