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MS aprova compra de 53 mil novos testes para diagnosticar a tuberculose assintomática

Foto: Recorte

Fornecido para o SUS pela multinacional QIAGEN desde 2021, o exame IGRA já está presente em 59 laboratórios espalhados pelo Brasil

Como uma das medidas para eliminar a tuberculose por meio do diagnóstico e tratamento, o Ministério da Saúde acaba de aprovar, por meio de licitação pública, a aquisição de mais de 53,4 mil novos testes do Interferon Gamma Release Assay (IGRA). O exame, fornecido pela multinacional QIAGEN para o Sistema Único de Saúde (SUS), é eficaz no rastreio e identificação da doença em sua fase latente, quando ainda não apresenta sintomas.


A companhia já havia disponibilizado 52 mil testes para a unidade de saúde pública, que implementou a solução em 2021. O teste, conhecido como QuantiFERON-TB Gold Plus, já está presente em 59 laboratórios do país em quase todos os estados, com exceção do Piauí, Tocantins, Mato Grosso e Rondônia.

De acordo com Raphael Oliveira, Gerente de Marketing Regional LATAM para Diagnósticos Moleculares da QIAGEN, a tuberculose é responsável por uma epidemia um tanto quanto silenciosa, mas que segue fazendo vítimas no país. “Após seu período latente, a doença pode evoluir de forma grave e rápida, portanto, se agora temos ferramentas mais eficazes, continuaremos trabalhando para que uma doença tratável e curável, deixe de fazer tantas vítimas todos os anos”, alerta Oliveira.

Ele lembra que, em 2021, o Brasil bateu o recorde de cinco mil mortes pela doença e, no ano passado, 78 mil novos casos foram identificados, um aumento de quase 5% em relação ao ano anterior.

O que é o novo teste de tuberculose do SUS

No IGRA, disponível também em unidades de saúde privada, o sangue do paciente é coletado em quatro tubos e levado para análises laboratoriais que levam até 24h para dar o resultado. Anteriormente, o SUS oferecia apenas o PPD, onde se aplica uma injeção administrada de forma subcutânea, e a reação do organismo é observada dentro do período de até 72 horas após a aplicação, formando uma espécie de caroço que deve ser medido na régua.

Se for formada qualquer reação superior a 5 mm, o exame é considerado positivo — mas o paciente precisa voltar ao hospital para as medições. “O Teste Tuberculínico, utilizando o PPD, é um diagnóstico que apresenta limitações de desempenho. Ele ainda é oferecido pelo SUS, porém, enfrenta frequentes problemas de desabastecimento, o que impacta a disponibilidade do exame para a população”, alerta o executivo da QIAGEN.

Já o IGRA, ao apresentar um diagnóstico rápido e seguro, com a precisão de testes laboratoriais, está entre os mais recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para identificar a tuberculose em sua fase assintomática, quando a contaminação já existe, mas sem sintomas no indivíduo.

“Essa fase latente pode se estender por anos, até que a pessoa tenha uma queda de imunidade e a doença se manifeste. Por isso, é essencial que se faça o diagnóstico de maneira precoce e se inicie o tratamento o quanto antes. Estima-se que cada paciente contaminado seja capaz de transmitir a tuberculose para outras 15 pessoas. Portanto, é para conter esse gargalo que precisamos agir”, explica Oliveira.

Quem tem direito ao teste IGRA

A testagem da Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) é essencial para pessoas do grupo de risco, devido à fase inicial assintomática da doença, que pode durar muito tempo até que a imunidade do paciente seja afetada. No SUS, o IGRA está disponível para crianças maiores de dois anos e menores de dez, que tiveram contato com pessoas com tuberculose ativa, candidatos a transplantes de órgãos, pacientes com HIV – algumas das maiores vítimas dessa enfermidade – e pessoas com doenças inflamatórias imuno mediadas, incluindo a psoríase, doença de crohn e artrite reumatoide.

Considerada uma doença bacteriana, causada pelo bacilo de Koch, a tuberculose ataca principalmente os pulmões. Seus principais sintomas são tosse crônica, febre, perda de peso inexplicada e sudorese noturna em casos graves. É fundamental procurar ajuda médica rapidamente, pois a doença é tratável e curável, mas a cura depende do diagnóstico precoce. “O tratamento pode ser longo, mas é de extrema importância que as pessoas o façam até o final para que a bactéria possa ser combatida e não crie resistência”, conclui o executivo da QIAGEN.

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