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Omar, Lula, Braga, Dilma, Amazonino…: a coleção de ‘ex-amigos traídos’ que Alfredo Nascimento coleciona

Alfredo Nascimento e a política das conveniências: de ministro de Lula a comandante do PL de Bolsonaro - foto: recorte/montagem

Alfredo Nascimento e a política das conveniências: de ministro de Lula a comandante do PL de Bolsonaro. A crise interna que hoje sacode o PL do Amazonas não surgiu em terreno desconhecido para o atual criador de crise interna instalada na legenda bolsonarista. 

Ao longo de mais de três décadas de vida pública, o atual presidente estadual do PL, Alfredo Nascimento, acumulou alianças, rompimentos e mudanças de posição que o levaram de governos petistas ao comando regional da principal legenda bolsonarista do país.


No Amazonas, antigos aliados se transformaram em adversários, e adversários voltaram a dividir palanque pouco tempo depois. Agora, em plena eleição de 2026, Alfredo Nascimento enfrenta uma nova guerra dentro da própria legenda, desta vez envolvendo distribuição do Fundo Eleitoral e acusações feitas publicamente pelo candidato Delegado Costa e Silva.

De aliado de Lula a voto pelo impeachment de Dilma

Alfredo Nascimento foi aliado de Luiz Inácio Lula da Silva, integrou seus governos e comandou o Ministério dos Transportes. Alfredo também permaneceu no cargo no início do governo Dilma Rousseff, onde ficou encarregado de pavimentar a BR-319, mas não se empenhou para isso.

Cinco anos depois

Em 17 de abril de 2016, durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, Alfredo tomou uma decisão: renunciou à presidência nacional do PR para votar contra a presidente Dilma Rousseff, em um GOLPE que contrariou a orientação oficial de sua própria legenda, que havia decidido votar contra o impeachment.

O episódio resume uma das maiores traições políticas de sua carreira: de ministro dos governos petistas a parlamentar que votou pela saída de quem o acolheu como ministro de Estado.

Luiz Moraes

O jornalista Luiz Moraes, um dos grandes nomes do jornalismo de agronegócio na Região Amazônica, apresentador do programa Caminhos da Amazônia, no Amazon Sat, que pertence ao Grupo Rede Amazônica, também se queixa das “traições de Alfredo Nascimento” com seus aliados.

O jornalista disse que chegou a largar uma campanha para vereador em 1996, com a promessa de ser secretário de comunicação de Alfredo Nascimento, caso ele fosse eleito para a prefeitura de Manaus, em 1998. “Prometeu e se comprometeu com a diretoria da Tv Amazonas, na época, Phileppe Daou e Milton Cordeiro, mas acabou nomeando o Jeferson Coronel e o Henrique Oliveira”, disse.

Omar: de adversário feroz a aliado

No Amazonas, talvez nenhum episódio represente melhor a volatilidade das alianças políticas do que a relação entre Alfredo Nascimento e Omar Aziz.

Em 2010, Alfredo disputou contra Omar o Governo do Amazonas em uma eleição marcada por forte enfrentamento político.

Quatro anos depois, o cenário era completamente diferente.

Alfredo desistiu de disputar a reeleição ao Senado, concorreu à Câmara dos Deputados e passou a apoiar José Melo, candidato do grupo político de Omar Aziz. A mudança foi confirmada publicamente às vésperas da eleição de 2014.

À época, análises políticas locais destacaram justamente o contraste: dois personagens que haviam terminado a eleição anterior como inimigos estavam novamente no mesmo palanque poucos anos depois.

Na política amazonense, a reconciliação virou exemplo clássico de como rivalidades aparentemente definitivas podem desaparecer diante de uma nova composição eleitoral.

Amazonino, Braga e a dança das alianças

A trajetória de Alfredo também se cruza com duas das figuras mais importantes da história política recente do Amazonas: Amazonino Mendes e Eduardo Braga. Amazonino foi peça decisiva na ascensão política de Alfredo. Os dois dividiram projetos políticos e alianças durante anos.

Com o passar do tempo, porém, os caminhos se separaram, e Alfredo passou a disputar espaços eleitorais contra antigos integrantes do mesmo grupo. Eduardo Braga também alternou períodos de proximidade e distanciamento em relação a Alfredo, dentro de uma política amazonense marcada por constantes reorganizações de alianças.

Em 2014, por exemplo, enquanto Alfredo se aproximava de José Melo e Omar Aziz, Eduardo Braga liderava o campo adversário na eleição estadual. Poucos anos mais tarde, na eleição suplementar de 2017, Alfredo aparecia novamente participando de articulações envolvendo Braga, Omar e outros líderes políticos estaduais.

Ou seja: no tabuleiro amazonense, adversários raramente permaneceram adversários para sempre. Do petismo ao bolsonarismo
Talvez a transformação mais emblemática seja ideológica.

A passagem de um campo político ao outro não é ilegal nem incomum no sistema partidário brasileiro. Mas, no caso de Alfredo Nascimento, ela ajuda a explicar uma carreira baseada menos em fidelidades permanentes e mais em sucessivas reorganizações políticas.

Guerra dentro do próprio PL

A diferença em 2026 é que o conflito deixou de ser entre Alfredo e adversários externos. A disputa agora acontece dentro da legenda que ele próprio comanda. O Delegado Costa e Silva acusou Alfredo Nascimento de promover distribuição desigual das verbas eleitorais. Segundo Costa e Silva, sua campanha recebeu apenas R$ 50 mil, enquanto Alfredo Nascimento e Sargento Salazar receberam R$ 3 milhões cada.

Desta vez, porém, Alfredo enfrenta uma situação diferente das antigas mudanças de aliança. Não se trata apenas de escolher um novo lado do tabuleiro. É o próprio grupo que ele comanda que começa a questionar publicamente sua liderança.

Lula, Dilma, Omar, Amazonino, Eduardo Braga e diferentes grupos políticos já estiveram, em algum momento, próximos ou distantes de Alfredo. Desta vez, a ruptura que ameaça seu projeto político pode estar acontecendo dentro de casa.

VIAhttps://www.youtube.com/
FONTEhttps://www.tiktok.com/@georgecurcio
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