
A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre a queda do voo 2283 da Voepass e indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da companhia, incluindo o cofundador José Luiz Felício Filho, pela tragédia que matou 62 pessoas em Vinhedo, em 9 de agosto de 2024. As conclusões foram apresentadas nesta quinta-feira (6), em coletiva na Superintendência Regional da PF em São Paulo.
Segundo a investigação, o acidente foi resultado de uma sequência de falhas técnicas, descumprimento de procedimentos, omissões em registros de manutenção e uma cultura operacional que teria priorizado a continuidade dos voos em detrimento da segurança.
Os investigados foram enquadrados no crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, previsto no artigo 261 do Código Penal.
O laudo do Instituto Nacional de Criminalística apontou que a queda ocorreu após perda de controle em voo causada pelo acúmulo de gelo na aeronave, associada à falha no sistema pneumático de degelo e à execução inadequada de procedimentos de emergência.
A perícia analisou dados dos gravadores da aeronave, documentos operacionais, históricos de manutenção, informações meteorológicas e depoimentos. Segundo a PF, problemas no sistema de degelo já haviam sido identificados em voos anteriores, mas não foram registrados formalmente, o que teria impedido ações preventivas da manutenção.
A investigação também apontou falhas no limpador de para-brisa e alertas emitidos antes da queda, indicando degradação do desempenho da aeronave e risco de perda de sustentação. A PF afirmou que os procedimentos previstos para situações de formação de gelo não foram realizados adequadamente.
De acordo com os investigadores, a aeronave entrou em condição crítica durante a aproximação para Guarulhos, perdeu sustentação, entrou em parafuso e caiu em Vinhedo.
A PF afirmou ainda que identificou uma prática interna de minimizar registros de falhas para evitar a retirada de aeronaves de operação. Segundo a corporação, a companhia teria priorizado a continuidade dos voos diante de problemas técnicos.
O relatório final também questiona a atuação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), apontando que o órgão já tinha conhecimento de irregularidades relacionadas à Voepass antes do acidente e havia realizado fiscalização na empresa meses antes da queda.
Diante das conclusões, a Polícia Federal sugeriu que o Ministério Público Federal avalie possíveis responsabilidades relacionadas à fiscalização e à operação da companhia.




