
É um erro tratar as pesquisas divulgadas até o momento como uma fotografia única e definitiva do eleitorado amazonense nestas eleições 2026. Já houve levantamento público colocando Omar Aziz (PSD) e David Almeida (Avante) nas duas primeiras posições.
A pesquisa Eficaz, divulgada em junho, apontou os dois em situação de empate técnico e projetou justamente esse confronto no segundo turno. Outro levantamento, do Direto ao Ponto, mostrou Omar com 28%, David com 21%, Roberto Cidade com 20% e Maria do Carmo com 19%, todos próximos, mas com David numericamente na segunda colocação.
Por que David pode estar mais forte internamente?
David Almeida administra Manaus, onde está concentrada a maior parte do eleitorado amazonense. Além disso, possui exposição diária, estrutura política municipal, vereadores, lideranças comunitárias e capacidade de mobilização nos bairros. Esses fatores nem sempre aparecem integralmente numa pergunta estimulada feita meses antes da campanha.
Outro elemento importante é que a disputa pela segunda vaga permanece apertada. A pesquisa Action colocou Roberto Cidade e Maria do Carmo com 21%, enquanto David apareceu com 18%. Porém, a margem entre eles é pequena, e o próprio levantamento mostrou 68% de indecisos no cenário espontâneo. Isso significa que, quando os nomes não são apresentados ao entrevistado, a eleição ainda está profundamente aberta.
Pesquisas diferentes, cenários distintos
A pesquisa Projeta mais recente apresentou Omar e Roberto Cidade na dianteira, mas esse resultado deve ser observado ao lado dos demais levantamentos, e não isoladamente. Pesquisas diferentes chegaram a cenários bastante distintos em um intervalo curto, o que reforça a percepção de volatilidade e alimenta o descrédito sobre metodologias, contratantes e recortes territoriais.
Pesquisa interna não é necessariamente pesquisa manipulada
É importante fazer essa distinção. Pesquisa interna normalmente é encomendada por partidos, candidatos ou grupos políticos para orientar estratégias.
Ela não precisa ser divulgada, mas, caso seus resultados sejam publicados ou usados como propaganda eleitoral, deverá observar as exigências legais de registro e transparência aplicáveis às pesquisas eleitorais. O TSE mantém um sistema público para consulta aos levantamentos registrados.
As sondagens internas muitas vezes trabalham com recortes mais detalhados e reais como, bairros e zonas eleitorais de Manaus; municípios estratégicos do interior; intenção de voto consolidada e voto potencial; rejeição reversível; impacto das alianças; transferência de votos de prefeitos e lideranças; cenários sem candidatos que podem desistir. Portanto, uma pesquisa interna pode indicar tendências que um levantamento público mais amplo demora a revelar.
Leitura equilibrada
Omar Aziz permanece como o nome mais constante na disputa por uma vaga no segundo turno. A segunda posição, porém, está longe de estar consolidada, e embora pesquisas recentemente tenham mostrado resultados abstratos, levantamentos anteriores e informações internas apontam David Almeida como o adversário mais provável de Omar, os nomes mais competitivos para o segundo turno.




