
As renúncias dos governadores Wilson Lima (União Brasil-AM), Cláudio Castro (PL-RJ), e Ibaneis Rocha (MDB-DF), têm impacto decisivo nas investigações das fraudes promovidas pelo Banco Master
Fora do cargo, os três políticos da direita perderam o foro privilegiado que os protegia de ações locais de investigação feitas pelo Ministério Público de cada estado e das superintendências locais Polícia Federal (PF) sobre o caso. Entraram, portanto, na mira de operações já em curso em seus estados para apurar investimentos suspeitos no Master usando dinheiro de servidores públicos.
Wilson Lima na berlinda
Em fevereiro deste ano, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da operação Barco de Papel, que investiga crimes contra o sistema financeiro envolvendo a gestão de recursos do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Amazonas. Agora como ex-governador do Amazonas, Wilson Lima deve responder pelo crime de responsabilidade. Ele foi o responsável por nomear o presidente da Fundação Amazonprev, Evilázio Nascimento, enquanto ele aplicava, e praticamente perdia, R$ 50 milhões em recursos da aposentadoria de servidores.
Em março, esse e outros investimentos do fundo viraram alvo da operação Sine Consensu, deflagrada por determinação da 4ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal do Amazonas. A Justiça determinou, inclusive, o afastamento temporário de três servidores da Amazonprev por suspeitas de que eles teriam recebido R$ 600 mil em propina para viabilizar o aporte de recursos de trabalhadores no Banco Master.
Wilson Lima, àquela altura, tinha foro privilegiado. Também não poderia ser intimado a prestar esclarecimentos sobre os aportes por agentes da PF, apesar de eles terem ocorrido em junho de 2024, durante sua gestão no governo e enquanto uma doadora de campanha de Lima controlava o fundo: Maria Neblina Marães.
O contador das campanhas eleitorais de Lima, Ary Renato Vasconcelos de Souza, substituiu Marães na presidência da Amazonprev dias após o investimento. Em maio de 2025, ele deu lugar a Francisco Evilázio na chefia do fundo.
Francisco Evilázio é irmão do presidente do PL-AM, o ex-senador Alfredo Nascimento. Em 28 de maio, ele esteve pessoalmente na sede do Banco Master, em São Paulo, para tratar dos investimentos da Amazonprev na instituição. Lá, ele soube dos riscos envolvidos na operação. Apesar disso, nada fez. Meses depois, o banco quebrou.

PF na porta do ex-governador
Wilson Lima renunciou ao cargo de governador no último dia 4/04. Havia prometido em discurso efusivo que não deixaria o governo para concorrer nesta eleição “por responsabilidade” com o povo amazonense. Mudou de ideia após 32 dias e tornou-se pré-candidato ao Senado. Até a eleição, entretanto, a PF pode bater em sua porta para lhe perguntar qual sua relação com o Banco Master.
Cláudio Castro
Risco semelhante corre Cláudio Castro, agora ex-governador do Rio de Janeiro. Assim como no Amazonas a PF investiga crimes contra o sistema financeiro envolvendo a gestão de recursos do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, o Rioprevidência.
Na ação da PF, policiais prenderam Deivis Marcon Antunes, então presidente do fundo nomeado por Cláudio Castro. Antunes é suspeito de liderar investimentos de até R$ 970 milhões no Master, utilizando recursos de contribuições previdenciárias de funcionários públicos estaduais. Após o Master ser liquidado pelo Banco Central, esses recursos foram praticamente perdidos.

Ibaneis no alcance do STF
Outro ex-governador envolvido no caso Master é Ibaneis Rocha (MDB). Em sua gestão, o Banco de Brasília (BRB) quase comprou partes do Master para salvá-lo da bancarrota. Por conta disso, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso no dia 16.
Neste caso, a prisão foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), corte que supervisiona as ações da operação Compliance Zero, também sobre o Master.
Caso a investigação avance, Ibaneis também pode vir a ser implicado. Isso, aliás, poderia ocorrer com ele dentro ou fora do governo, já que o STF tem prerrogativa para investigar autoridades com foro privilegiado.
Ibaneis Rocha renunciou em março e também pretende se candidatar ao Senado.
Com informações do DCM




