Ribeirinhos vão pagar R$ 530/mês pela internet que Bolsonaro quer comprar de Elan Musk

Falta clareza na oferta de internet de Elan Musk para a Amazônia - foto: recorte

O bilionário Elan Musk já mandou a fatura da conta que cada morador ribeirinho vai pagar pelo sinal da Starlink no interior do Amazonas. A empresa é do bilionário que veio ao Brasil oferecer internet, via satélite, para o ocupante do Palácio do Alvorada e, ele aceitou.

A sorte dos amazonenses, no entanto, é que o serviço tem previsão de funcionamento num prazo de cinco anos (março de 2027), podendo ser revertido o ‘ok presidencial’, feito às cegas, mesmo já tendo obrigado a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a aprovar.

Musk justifica que o sistema a ser implantado no País, não vai interferir em outros sistemas de satélites não geoestacionários. No entanto, cientistas, políticos e céticos da proposta até agora sem explicação plausível, comentam que o melhor que o presidente faria para reparar o isolamento de comunicação no território amazonense, seria o investimento nos sistemas já existentes na atualidade.

Valdemir Santana diz que o Amazonas precisa de investimentos, mas na geração de emprego e renda – foto: recorte/Correio

O Amaonas tem cobertura de internet

“O Amazonas tem a cobertura do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que é um instituto federal brasileiro dedicado à pesquisa e exploração espacial, criado em 1961, mas que está sendo sucateado pelo governo federal”, aponta o sindicalista e candidato a deputado estadual, Valdemir Santana.

Santana cita ainda, o Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM), que é um projeto elaborado pelos órgãos de defesa do Brasil, com a finalidade de assegurar o espaço aéreo da Amazônia. Conta com uma parte aérea, o Sistema de Proteção da Amazônia, ou SIPAM, que é integrado ao satélite brasileiro de sensoriamento remoto.

Amazônia é monitorada por satélite, pelo Sivam – foto: recorte

Investimento sem sentido

O sindicalista lembra ainda, os satélites de comunicação usados pelas telefônicas TIM, Vivo, Claro, que levam sinal de voz e de internet a áreas remotas da Amazônia e só não ampliam os seus serviços, porque a demanda não justifica os altos investimentos.

Daí não fazer sentido Elan Musk investir em uma infraestrutura tão complexa e cara, para uma região tão pouco povoada, que não geraria demanda de serviços de telecomunicações suficiente para justificar tal investimento.

Custo de uma instalação 

Além dos R$ 530 mensais, o ribeirinho vai comprar o kits de instalação, pagar impostos e movimentação.

Veja o tamanho da conta:

– O Kit com antena, base, roteador Wi-Fi: R$ 2.670.00

– Envio e manuseio: R$ 365,00.

– Impostos de importação (IPI), da Receita Federal, uma vez que o produto vem dos Estados Unidos com chegando a R$ 1.600.00

– Uso mensal do Serviço: R$ 530,00

Total do presente do bilionário americano é de: R$ 5.165,00.

Comunidade ribeirinha às margens do Rio Amazonas, em Urucará – foto: recorte/rede sociais

É quando Valdemir pergunta: “qual ribeirinho, morador de cidades do interior do Amazonas tem condições de pagar esse valor?” A maioria das famílias sobrevivem com salário mínimo de R$ R$ 1.212,00 e, na maioria dos casos, nem esse valor eles conseguem ganhar para comprar alimentos, pagar educação, saúde, vestimentas, transportes.

Santana também lembra que Elan Musk não é ingênuo ao ponto de fazer um investimento desta monta, sabendo que não terá retorno e que os ribeirinhos não dispõem de recursos para pagar o uso do sistema.

“A não ser que pretenda monitorar incidências de petróleo, minérios e outras riquezas existentes na Amazônia”, comenta.

A proposta de Elon Muk é alcançar áreas mais remotas onde a fibra óptica ainda é de difícil acesso, mas isto o INPE já faz, ou fazia, quando funcionava com seu efetivo 100%.

Conhecimento ribeirinho

O ribeirinho tem um vasto conhecimento da Amazônia e, “caboclo não é besta”, sabe que existem objetivos não revelados em cima desta negociação governamental com o americano mais rico do mundo.

De novo o porto de lenha?

O AM foi o primeiro estado do Brasil a ter bonde, energia elétrica, o primeiro a ter universidade, porto para navios de grande calado, a maior renda per-capta e a economia mais desenvolvida do País. Isso, até um “ladrão inglês” chamado Henry Wickham roubar 70 mil sementes de seringueiras, em 1876, para levar para a Malásia.

Com os seringais anglo-asiáticos prosperando, por volta de 1900, a economia do Amazonas, a sociedade, o povo entraram em declínio e depressão. Foi o retorno do “Porto de Lenha”, retiradas das florestas, sendo aí, o início do desmatamento em série.

Hoje, sabemos que temos minérios em abundância, inclusive o Silício, que é aplicado em semicondutores e usados em componentes de circuitos e chips eletrônicos. Esse pode ser um dos fortes motivos para o bilionário dono do Instagram e de foguetes para ir à Lua, querer dar esse ‘presente de grego’ ao atual presidente do Brasil. “Musk enganou até a sua mulher, quanto mais o incapaz do presidente”, comenta Santana.

Mau intencionado

“O presidente não tem boas intenções com o povo do Amazonas. Seu instinto de vingança tem se acentuado nos últimos meses, com medidas que só destroem as reservas naturais e modelos econômicos implantados no Estado. Não é nada confiável, tudo o que esse presidente faz pelo Amazonas”, acentua Valdemir Santana.

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