
A Secretaria de Estado de Educação do Amazonas (Seduc/AM) está sendo cobrada por conta do descaso em uma escola ribeirinha localizada em Beruri (a 170 quilômetros de Manaus). A secretaria municipal também está incluída.
O Ministério Público Federal (MPF) realizou reunião com representantes do município, das secretarias e das comunidades indígenas e ribeirinhas da cidade. O objetivo era tratar sobre o cumprimento dos encaminhamentos anteriores relativos à educação escolar indígena e tradicional. Foram discutidas questões relacionadas à alimentação escolar regionalizada, ao Processo Seletivo Simplificado (PSS) para contratação de novos professores e à falta de oferta do ensino médio em diversas aldeias indígenas e comunidades ribeirinhas.
Um dos assuntos levantados durante a reunião tratou da recomendação enviada anteriormente pelo MPF à Seduc/AM. A determinação expedida pelo MPF trata da falta de professores nas salas de aula do ensino médio no município.
Segundo representantes indígenas, diversas aldeias estão sem aulas, algumas aguardando implementação do ensino médio há anos, e outras, que deveriam ter iniciado no começo de 2025, ainda não tiveram suas aulas. De acordo com os representantes, a falta de educação nas aldeias força jovens indígenas a se mudarem para cidades, onde muitos desistem dos estudos por falta de condições para se manter. Ainda foi ressaltado que esses jovens se tornam vulneráveis a problemas sociais e que o movimento indígena está documentando os danos causados por esse êxodo forçado, o que pode levar à responsabilização das secretarias e governos.
O MPF cobrou a definição de uma data específica para o lançamento da chamada, recomendando que ela ocorresse no início do segundo semestre de 2025. A Organização do Movimento Indígena de Beruri (Omib) criticou a demora, reforçando que o planejamento da alimentação escolar deveria ter sido feito anteriormente e com participação direta das associações indígenas de base.




