Um encontro de gerações nos 107 anos de Nacional FC

Fotos:João Normando, MIlly Barreto e Blog do Zé Duarte

Há 107 anos, o Nacional Futebol Clube era fundado. Desde então, vem despertando sentimentos que ultrapassam gerações, tanto nas arquibancadas, quanto dentro de campo. Neste 13 de janeiro, o Leão da Vila Municipal completa mais um ano de tradição e muitos títulos, conquistas de inúmeros atletas que defenderam o manto azulino com ardor e união.

Atletas de épocas distintas, o ex meia, João Corrêa Monteiro, o Correa, 61 anos, que vestiu a camisa do Naça na década de 70 e o lateral direito, Paulo Rossinio Alfon do Nascimento, o Paulinho, 23 anos, do atual elenco, sentaram à beira do gramado do Centro de Treinamento Barbosa Filho, para uma, inicialmente, breve conversa, mas que revelou grandes semelhanças entre os dois, dentre elas o orgulho e gratidão de fazer parte da história nacionalina.

O agora integrante do time máster do Leão, Correa, começou a carreira nos gramados aos 18 anos, mas depois teve a oportunidade de integrar o elenco azulino profissional. Na época, conquistou a todos por sua grande habilidade com a bola nos pés, que o tirou da arquibancada como torcedor, e o colocou nos gramados para se tornar ídolo de uma geração. A afinidade com a Vila Municipal foi tanta que ele permaneceu no clube de 1978 a 1981 e fez parte da geração que conquistou o tetra campeonato amazonense.

O jovem Paulinho está seguindo os passos de Correa. Já soma três temporadas no comando da lateral direita do Naça, mas diferente do ex jogador, ele começou no futebol ainda criança, passou por clubes como amazonenses como Manaus e Holanda, até chegar o momento de ser apresentado a massa azulina, em 2018.

As semelhanças

Assim como Correa, Paulinho também se encantou com a história, as cores e as lutas do Nacional FC. O sentimento aumentou, após a primeira oportunidade de jogar diante da imensa torcida nacionalina. “Entrei para o time juvenil em 1976, sendo ponta-esquerda e usando a camisa 11, mas com a chegada do treinador Laerte Dória, homem que visava muito a prata da casa, fui avaliado e ele descobriu em mim habilidades no meio-campo. Passei a usar a camisa 10 e ser meia-esquerda. Quando entrei em campo e vi aquelas milhares de pessoas para ver nosso time jogar, meu coração acelerou. Foi uma sensação única que sinto até hoje. Eu tive na época a chance da minha vida, de poder vestir o uniforme e não apenas jogar, mas defender o Nacional Futebol Clube”, revelou Correa.

Se para Correa que pendurou as chuteiras há mais de 30 anos, já é difícil segurar a emoção ao lembrar da primeira vez em campo, imagina para o jovem Paulinho que ainda está em atividade. O lateral também conta como é estar diante da torcida e defendendo as cores do Leão.

“Meu primeiro jogo foi difícil cair a ficha. Eu estava realizando um sonho. Havia chegado a hora de mostrar meu trabalho. Na hora em que a torcida me viu entrar, começaram a gritar meu nome em forma de canto, foi ali que percebi a responsabilidade que eu assumi e entendi a minha missão no Nacional. Eu quero deixar meu nome na história do clube”, ressaltou Paulinho.

Fotos:João Normando, MIlly Barreto e Blog do Zé Duarte

Pratas da casa

Nossos craques são amazonenses, ou seja, em época de super valorização de jogadores de outro estados, o Naça mostra que mesmo 107 anos depois, continua valorizando sua base, ainda assim, segundo Correa, não como antes e isso ocorre em todos os clubes locais.

“Nos últimos anos o futebol vem valorizando mais a base, claro que não como antes, mas acredito que vá melhorar. Precisamos continuar trabalhando forte, incentivando nossos meninos. Eles são nosso futuro, a ‘prata da casa que precisa ser lapidada. Falo por experiência própria. Se fui feliz no Nacional, foi por que alguém acreditou em mim, na base.”, lembrou Correa.

O Paulinho é um dos futuros no qual o ex jogador se refere acima. Ele é prata da casa, revelado por um clube local e está trilhando seus passos em terras barés.

“Passei por bases de clubes aqui no futebol amazonense e é fundamental o trabalho que é realizado nessa fase. Chega a ser determinante em nossa carreira. É muito gratificante ver campeonatos de base a nível nacional, dá a oportunidade do jovem mostrar seu talento, fazendo-o se sentir importante. Eu sou muito grato pela chance que tive e estou tendo de mostrar minha habilidade”, ressaltou Paulinho.

Referências no futebol

Todo profissional de sucesso se inspirou em alguém. Nossos dois nacionalinos não foram diferentes. Correa relata seu ídolo com bastante saudosismo, enquanto Paulinho, admite que a partir desta conversa ele tem grandes exemplos para seguir e se tornar mais que vencedor dentro do Naça.

“Minha inspiração veio do próprio Nacional. Quando eu criança o maior craque para mim era Pepeta. Meu maior desejo era ser um jogador excepcional como ele. Feliz é aquele que viu Pepeta jogar. Eu tive essa felicidade”, disse Correa.

O ídolo do ex meia era amazonense, o cara que fez o único gol e deu o título de campeão do Brasileirão, em 1969, ao Nacional, dentro do Maracanã. Um lenda viva. Por outro lado, Paulinho infelizmente não tem essa referência no estado. Ele fala com maturidade sobre o assunto.

“A questão não é ter ídolo, eu, por exemplo não tenho ídolo, mas o jogador que mais contribuiu para minha carreira, por eu acompanhar durante a minha vida inteira é o Cristiano Ronaldo. Mas eu sempre tive interesse na história do Nacional. Li sobre Toninho Cerezo e Paulo Isidoro. Foram atletas que aqui jogaram e depois realizaram o sonho de qualquer jogador de futebol: ser convocado pela seleção brasileira. Claro, que após essa conversa com seo Correa, terei uma ótima influencia. Vou tentar aplicar na minha carreira tudo o que ele me passou, assim terei grandes chances de também fazer história, afinal, ele colocou três das estrelas que hoje carrego no peito, quando uso camisa do Naça”, afirmou.

O novo rurgir do Leão

A volta do clube à elite do futebol brasileiro é um desejo que ultrapassa a Vila Municipal e enche de esperança os amantes do esporte. O Nacional foi o primeiro clube amazonense a disputar a primeira divisão do Campeonato Brasileiro, o primeiro a jogar no Maracanã e ser campeão. Trouxe títulos internacionais que expõe com muito orgulho na sua sala de troféus e todos esperam que esse glamour possa retornar a fazer parte da realidade azulina.

Para Correa, o segredo estar em nunca desistir. Vale a pena continuar acreditando que o Leão vai voltar a ser respeitado, principalmente pela nova geração que não viu os tempos de outro do Mais Querido.

“Persistir, perseverar, trabalhar. Três palavras chaves para o sucesso. Desacreditar nunca foi uma palavra usada por mim, talvez seja por isso que estive em lugares jamais imagináveis. O impossível é algo pequeno. Acredito que o Leão da Vila Municipal irá rugir novamente dentre os grandes do Brasil e mostrar para os jovens de hoje a grandeza do nosso clube”, completou Corrêa.

Mesmo sem ter tido a oportunidade de presenciar o Nacional disputar grande campeonatos, Paulinho admite que lê muito sobre a história do clube e sente vontade de poder viver isso e da melhor maneira possível: jogando.

“Já estivemos lá e devemos voltar. A história e tradição do Nacional é muito grande e nós como atletas devemos colocar essa responsabilidade em nossos corações e em campo. O torcedor nacionalino mais do que ninguém, merece essa ascensão do clube. Afinal são várias gerações que estão há mais de 100 anos apoiando o Leão. Eu acredito que o Naça voltará a estar entre os maiores do futebol”, declarou Paulinho.

Vivaldão x Arena

Escrever sobre as lembranças de Correa e os desejos Paulinho, já não é tarefa muito fácil. São dois profissionais completamente apaixonados pelo mundo da bola e pelo Nacional FC. Quando falamos do lugar onde jogar, Correa conta que viveu a era do estádio Vivaldo Lima, palco da grandes duelos do futebol amazonense. Enquanto, Paulinho viu a demolição do antigo estádio para dar lugar a moderna Arena da Amazônia, palco da Copa do Mundo de futebol, em 2014.

“Lembro com muito saudosismo desta época, o estádio lotado, milhares de vozes entoando o hino do clube. Até hoje arrepia só de lembrar. Na conquista do tetra, foi muito maior, a torcida nacionalina estava eufórica, era gente rindo, chorando, agradecendo. Muita coisa mudou no futebol de lá para cá, entretanto, acredito que verei novamente o Nacional em campo sendo embalado por uma multidão de pessoas”, afirmou, Correa, emocionado.

“Eu lembro de ir uma única vez no Vivaldão, ver São Raimundo e São Paulo, ali senti a energia. O local era um templo mesmo. Acredito que a construção da Arena não tenha sido muito em prol do futebol locaL, enfim… Mas hoje tenho a oportunidade de jogar no estádio onde vários ídolos do futebol jogaram na Copa do Mundo em 2014, mas meu objetivo maior é dar alegria a nação azulina, independentemente do local que jogar. Meu desejo é ver o torcedor nacionalino, desta geração, ter tantos títulos quantos os das gerações anteriores”, ressaltou Paulinho.

Semelhanças entre todos nacionalinos

Neste 13 de janeiro, todo nacionalino vai lembrar do que foi e o que é o Leão Mais Querido do Norte e o que ele representa em suas vidas.
Muitas lembranças serão afloradas, de momentos de conquistas e alegrias, até aqueles momentos que nenhum torcedor e jogador gostam de lembrar. Trazer à memória àqueles que se foram, que eram apaixonados pelo clube e àquele que vestiram o manto. São sentimentos que serão inevitáveis, durante esses 107 anos.

Nossos craques finalizam a conversa, com os olhos marejados de lágrimas. Correa por poder mostrar imagens de quando jogava e Paulinho por ter a oportunidade de estar ao lado de quem ajudou a colocar as estrelas que ele carrega no peito.

Assim como todos os nacionalinos, nossos craques deixam suas mensagens de aniversário para o Mais Querido do Norte.

“Desejo ao Nacional uma trajetória de excelência, visando sempre evoluir em todas as áreas. E é claro, que neste ano de 2020 o acesso venha para O Mais Querido da Região Norte. Feliz 107 anos de vida meu Naça”, completou Corrêa.

“O Nacional é minha segunda casa, portanto, desejo que estejamos sempre unidos e focados apenas em um propósito. Que venham mais 107 anos de vida, para que outros jovens assim como eu possam fazer história neste lugar. Parabéns Nacional, tua história é inigualável”, concluiu Paulinho.

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