
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) sediou, em Brasília, uma reunião crucial com uma delegação do governo de Angola para discutir o Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil-Angola. O encontro, que se estende por três dias, visa estabelecer um modelo de cooperação bilateral para o desenvolvimento do setor agrícola angolano, com foco em investimentos privados, transferência de tecnologia e capacitação técnica brasileira.
Experiência brasileira como modelo para Angola
Augusto Billi, secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, apresentou a trajetória de sucesso do agronegócio brasileiro, que evoluiu de importador a potência exportadora global. Billi destacou a transformação do Cerrado, antes considerado improdutivo, em uma região de alta produtividade graças a avanços científicos, políticas públicas e organização de produtores.
Carlos Ernesto Augustin, assessor especial do Mapa, ressaltou as afinidades históricas, culturais e climáticas entre Brasil e Angola como fatores favoráveis à cooperação. Atualmente, mais de 20 produtores rurais brasileiros já demonstraram interesse em investir em Angola.
Otimismo e expectativas de Angola
Domingos Custódio Vieira Lopes, secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, enfatizou o potencial agrícola de seu país e a importância da parceria com o Brasil para modernizar o setor. A colaboração, segundo ele, impulsionará a transferência de tecnologia, capacitação de mão de obra, desenvolvimento de cadeias de valor e a segurança alimentar em Angola.
Laudemar Gonçalves de Aguiar Neto, secretário do Ministério das Relações Exteriores (MRE), apontou que o programa pode aumentar o fluxo de investimentos, bens, serviços e tecnologia entre os dois países, além de incentivar a formação de cadeias produtivas locais. Ele reiterou as semelhanças entre o Cerrado brasileiro e a savana angolana como um facilitador para a adaptação de tecnologias agrícolas brasileiras.
Proposta brasileira e próximos passos
A proposta brasileira inclui a disponibilização de áreas agricultáveis, marcos regulatórios que garantam segurança jurídica, linhas de crédito, transferência de tecnologias agrícolas e a adoção de sistemas de produção sustentáveis. Produtores brasileiros interessados se comprometerão com o desenvolvimento de comunidades locais, assistência técnica, parcerias com escolas técnicas e implantação de agrovilas.
Condições estratégicas para a implementação do programa envolvem a disponibilização inicial de 20 mil hectares para grãos, garantias para financiamento, participação de instituições financeiras angolanas, autorização para uso de sementes com biotecnologia e mecanismos para exportação de parte da produção.
As delegações continuarão as discussões técnicas para consolidar o marco institucional e operacional do programa.
Com informações da Agência Gov




