
O que parecia ser uma vitória política do Partido dos Trabalhadores transformou-se, em menos de 24 horas, em mais uma crise interna da legenda em Manaus.
Após a Justiça determinar ontem (17), o afastamento do vereador Jaildo dos Rodoviários (PV) e abrir caminho para a posse do suplente petista Sassá da Construção Civil (PT), a direção municipal do PT decidiu desistir da ação judicial, alegando respeito à Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB.
O recuo, estratégico, frustrou aqueles que esperavam ver o suplente Sassá da Construção Civil assumir uma cadeira na Câmara Municipal de Manaus.
Jaildo cassado e condenado
O processo que determinou o afastamento de Jaildo dos Rodoviários (PV), é o de nº. 0205169-95.2026.8.04.1000, utilizado para pedir o cumprimento dos efeitos da condenação por improbidade administrativa.
A crise teve origem na condenação definitiva do vereador Jaildo dos Rodoviários (PV) por improbidade administrativa, dano ao erário, enriquecimento ilícito, Processo Nº. 0205169-95.2026.8.04.1000, fundamento utilizado pela Justiça para determinar, em primeira instância, a perda do mandato e a convocação do suplente da Federação Brasil da Esperança, Sassá da Construção Civil (PT).
Apesar da decisão judicial, a vacância do cargo não foi imediatamente declarada pela Câmara Municipal de Manaus. O episódio gerou controvérsia sobre o cumprimento da determinação judicial e manteve o caso no centro do debate político e jurídico até que, no dia seguinte, uma decisão liminar do Tribunal de Justiça do Amazonas suspendeu os efeitos da sentença de primeiro grau, permitindo a permanência de Jaildo no mandato até nova apreciação do recurso.

Presidente Valdemir Santana
A decisão desencadeou forte reação entre filiados e dirigentes da legenda. Para um grupo de petistas, o partido deixou escapar a oportunidade de ampliar sua representação na Câmara Municipal.
Já o presidente municipal do PT, Valdemir Santana, sustenta que não poderia agir para beneficiar um filiado do PT em detrimento de um vereador do PV, já que ambos pertencem à mesma federação partidária. “Estou zelando pela ética partidária e a fidelidade ao acordo federativo firmado em nível nacional, além do que, a decisão de requerer o mandato por direito, deve ser tomada pelo principal interessado, no caso o Sassá”, comentou Valdemir Santana.
Desta forma, Sassá não perdeu definitivamente a possibilidade de assumir. O desfecho ainda dependerá do julgamento do mérito, de eventuais manifestações da Câmara Municipal e de novas medidas que possam ser adotadas pelas partes interessadas.
Limites da disputa judicial
O episódio extrapolou os limites da disputa judicial e abriu um debate político sobre os limites da autonomia dos partidos que integram uma federação. Afinal, até onde uma legenda pode defender seus próprios interesses quando eles colidem com os de outro partido que faz parte da mesma aliança?




