Hamilton vira heptacampeão em ano de recordes

Foto: Reprodução

A matemática oficializou aquilo que todos já esperavam acontecer. Com a vitória no GP da Turquia deste domingo (15), Lewis Hamilton já não pode mais ser alcançado no Mundial de Pilotos da Fórmula 1, sagrando-se heptacampeão mundial.

O britânico salta para 307 pontos, tirando de Valtteri Bottas as chances de título. E, mais do que isso, salta para um novo patamar como maior campeão de todos ao lado de Michael Schumacher.

A campanha de Hamilton em 2020 começou de forma inesperadamente turbulenta. Não só por conta da pandemia do coronavírus e do adiamento da primeira corrida de março para julho. É que, mesmo quando o campeonato começou para valer, quem começou bem foi Bottas: o finlandês fez pole no GP da Áustria e partiu para a vitória. Lewis brigou pela vitória, mas foi punido em 5s por acidente com Alexander Albon e caiu para quarto. Era uma vantagem de 13 pontos para o #77 no Mundial, indicando talvez uma briga mais interessante entre os companheiros.

Ledo engano. Bastou passar uma semana e a F1, ainda na Áustria, viu Hamilton fazer uma de suas grandes atuações. O GP da Estíria foi de domínio do #44, que fez pole e venceu com tranquilidade. Bottas, por sua vez, começou sequência perigosa: a de sofrer para superar Max Verstappen. O finlandês foi segundo, mas de forma pouco convincente. Mais uma semana e o mesmo padrão foi visto: Lewis sobrou, deixando Max e Valtteri lutando pelo segundo lugar. Dessa vez, com o holandês levando a melhor. No Mundial, o então hexacampeão já tirava a liderança das mãos do companheiro.

Depois da primeira trinca de corridas e de uma semana de folga, era hora de rodada dupla da F1 em Silverstone. O tempo passou, mas nada mudou na dianteira: amplo domínio de Hamilton no GP da Inglaterra. A corrida avançava tranquilamente, até que uma cena icônica ocorreu. Lewis teve um pneu furado na última volta e, mesmo se arrastando na pista, venceu. Bottas não teve a mesma sorte: o furo do finlandês veio antes, forçando pit-stop e queda para 11°.

Já estava claro quem era o favorito ao título, além de que, no fim das contas, a briga não seria apertada assim. Quando Bottas fez a pole no GP do Aniversário de 70 Anos e acabou permitindo vitória de Verstappen, o boi já estava fugindo com as cordas. As vitórias dominantes de Hamilton em Barcelona e Spa-Francorchamps seguiram corroborando para um cenário amplamente favorável para um só piloto na Mercedes. Mais do que isso, Lewis deixava a Bélgica com 89 vitórias e cada vez mais colado no recorde absoluto de Michael Schumacher, com 91.

Mesmo com punição pesada em Monza e sem nem ir ao pódio, o destino do britânico na segunda metade do ano já estava traçado: era hora de quebrar recordes e ser campeão da F1.

Essa campanha começou para valer no GP da Toscana, em Mugello. Mesmo com Bottas aparentemente mais rápido, foi Hamilton quem soube aproveitar uma corrida com acidentes e bandeiras vermelhas. 90 vitórias. Na Rússia, uma inversão de papéis, finalmente: Lewis não teve a melhor estratégia de pneus, ajudando Valtteri a finalmente voltar a vencer.

E aí fomos para Nürburgring. Em um fim de semana diferente, com Verstappen mais ameaçador do que de costume, Hamilton triunfou mesmo assim. A corrida foi empolgante, mas o que todo mundo lembrará é o que aconteceu depois: com 91 vitórias, Lewis empatou com Michael Schumacher como maior vencedor de todos. Mick esteve presente e deu um capacete de seu pai ao britânico. Duas semanas depois, a nova vitória no GP de Portugal isolou o #44 como o mais vitorioso da história.

No GP da Emília-Romanha, em Ímola, vimos mais um pouco da grande fase de Hamilton. O britânico ficou atrás de Bottas o tempo todo, mas fez a virada através de dois lances inesperados: Valtteri danificou o assoalho e perdeu décimos preciosos por volta, enquanto Lewis tirou proveito um safety-car virtual na hora certa. Perdendo menos tempo nos boxes, o então hexacampeão foi ao alto do pódio. Bastava apenas fechar as contas na Turquia, que era a parte mais simples.

O que aconteceu? Num fim de semana onde a Mercedes não conseguia andar, anulada até a corrida pelo asfalto horroroso de Istambul e com tudo piorado pela chuva de sábado e domingo, Hamilton errou nas primeiras voltas. Parecia carta fora do baralho, mas deu nova aula de controle de pneus e estratégia de pista. De supetão, apareceu 20s à frente dos demais e venceu. Coroou, assim, o maior ano de sua vida.

O título era o último feito que faltava para um piloto que já provou a todos seu enorme valor. O debate sobre Lewis ser o maior de todos parecia exagero até anos atrás, mas agora faz absolutamente todo sentido. Hamilton e Schumacher têm estatísticas muito acima dos outros, e o britânico terminou de trilhar esse caminho em 2020.

Só que não dá para falar do 2020 de Hamilton citando apenas feitos esportivos. Em um ano que teve a luta contra o racismo ainda mais em destaque do que de costume, Lewis virou um gigante. Foi ele quem começou o movimento de se ajoelhar antes das corridas, repetindo ato já visto nos Estados Unidos para protestar contra violência policial.

Em outra ocasião, em Mugello, foi ao pódio lembrando Breonna Taylor, assassinada pela polícia sem cometer crime algum. As declarações do piloto da Mercedes também se tornaram mais fortes e socialmente conscientes – fundamental em dias como os de 2020. E talvez isso tudo valha tanto quanto qualquer título na Fórmula 1.

Fonte: GP

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