
O Ministério Público Federal (MPF) participou da 1ª Oficina sobre Contaminação Ambiental Decorrente da Mineração Ilegal de Ouro, promovida pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Brasília (DF).
Realizado entre 7 e 10 de julho de 2026, o encontro reuniu representantes de instituições públicas para discutir estratégias de enfrentamento aos impactos ambientais da mineração ilegal na Amazônia. O procurador da República André Luiz Porreca Ferreira Cunha, do 2º Ofício da Amazônia Ocidental do MPF, apresentou a palestra “Recomendações e visão do MPF no controle do mercúrio e do cianeto”.
Durante a apresentação, o procurador destacou dados sobre a contaminação por mercúrio na região amazônica, incluindo estudos que apontam níveis do metal acima dos limites seguros em parte do pescado consumido pela população. Segundo ele, a contaminação afeta principalmente povos indígenas e comunidades ribeirinhas, que dependem do peixe como fonte de alimentação.
Cunha também abordou o contrabando de mercúrio utilizado em garimpos ilegais, com entrada no país principalmente por rotas de fronteira, e apresentou ações do MPF para combater a circulação clandestina da substância, como o Projeto Rede Sem Mercúrio e medidas voltadas ao monitoramento ambiental e ao uso de tecnologias menos nocivas.
Outro alerta foi o avanço do uso de cianeto na extração ilegal de ouro. De acordo com o procurador, a substituição do mercúrio pelo cianeto exige novas estratégias de fiscalização devido aos riscos à saúde humana e ao meio ambiente.
A oficina contou ainda com painéis de especialistas do Ibama, Agência Nacional de Mineração (ANM), Polícia Federal, Exército Brasileiro, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), universidades e outras instituições.




