O ser professor e o ser educador

Professor Garcia Neto

Professor Garcia Neto
Professor Garcia Neto

Por Garcia Neto

Bastante oportuna a pergunta do ex-prefeito de Novo Airão, AM, Wilton Santos, sobre “a finalidade mais importante dos professores em nossas escolas”, postada esta semana no Facebook com 4 alternativas de resposta: 1. Formar cidadãos conscientes; 2. Proporcionar conhecimentos básicos; 3. Tratar mal seus alunos, e 4. Pois a função do professor de tornar cidadãos conscientes vem de casa. A alternativa de número um foi a mais votada. Confesso que não tive a curiosidade de saber os motivos que levaram o ex-prefeito a provocar esta reflexão na comunidade airãoense, mas me levou a refletir sobre a diferença que há entre ser professor e ser educador.

Nesta perspectiva, subentende-se que o professor é aquela criatura que vai para a escola e sai dela alegre ou triste; esperançoso ou não, às vezes falador ou calado, fragmentado na sua profissão. Mas ele é o professor, porque os outros o chamam de professor. Na verdade, professor é quem dá aulas, quem ensina os conteúdos escolares, é aquele que ensina aos que não sabem aquilo que ele sabe, ou pensa que sabe, por isso ele é chamado de professor e ele passa a acreditar que é mesmo professor e todos acreditam que ele é professor.

Pelo critério da mesmice continuada, o professor é caracterizado, no vai e vem da escola, pela mesmice do discurso aos mesmos ouvintes. É o comediante que apresenta a mesma comédia aos mesmos assistentes, no mesmo palco. Mesmo assim ele é reconhecido como “o professor”, porque ele estudou muitos anos, se preparou para ser professor no Ensino Fundamental ou no Ensino Médio, ou até na faculdade, pósgraduou-se, fez Mestrado, mas os títulos o transformam em “primus inter pares” na ação de ensinar nas pequenas e grandes cátedras, os quais são mais importante do que o saber, muito importante para caracterizá-lo como “o professor”.

Neste enfoque, torna-se complexo, quase impossível explicar o que é ser professor. Muitos acreditam ser aquele que precisa demonstrar um ativismo constante, explicitando seu compromisso em ensinar e avaliar, como se tudo ficasse apenas nessas questões. Não, claro que não, pois o professor é aquele que habita um mundo diferente onde o educador tem pouca importância. Rubem Alves explica que o professor é uma entidade “descartável”, “da mesma forma como há canetas descartáveis, coadores de café descartáveis, copinhos de plástico para café descartáveis”.

É evidente que o professor nunca viveu dignamente do ato de ensinar, tornou-se um esmoleiro oficializado, enquanto o educador é um ser especial, porque é aquele que pensa o que lhe cabe pensar, é o ser aquilo que deve ser, é o agir naquilo que deve agir, porque ele é o educador, é o pensador, é o filósofo, é aquele que pensa sobre o homem e sua existência, em nome da vocação, do sacerdócio para o ensino. Diferente do professor, o educador deixa-se guiar pela força interior que se sustenta de sua própria experiência cotidiana; envolve-se pelo desejo de ensinar e aprender a paixão pela missão de educar e de transmitir conhecimentos, de formar novas gerações com novos valores, construir com os educandos a riqueza da vida humana e da experiência já construída por eles.

A pergunta que não quer calar: Onde estão os educadores? Difícil encontrá-los, considerando-se que professor é profissão e educador, vocação, e toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança, como diria Paulo Freire, é a paixão pelo ato de ensinar que se expressa de várias formas e se concretiza no seu encantamento com a vida, com a liberdade, com o prazer da aprendizagem, com a descoberta e com a prática de pensar a prática. Enfim, o sonho de todo educador se fundamenta e se concretiza ao longo de sua missão, humanizando os seres humanos desprovidos de suas dignidades.

Nessa perspectiva, é preciso que o professor reflita sobre sua prática pedagógica, partindo para novos desafios, rumo a construção do saber. É fundamental que professor e educador conheçam seus educandos, suas expectativas, sua cultura, suas características e problemas, suas necessidades de aprendizagem. Devem, portanto, refletir permanentemente sobre suas práticas, buscando meios de aperfeiçoá-la, bem como favorecer a autonomia de seus alunos, avaliando constantemente seus progressos e ajudá-los a tomar consciência de como é realizada a aprendizagem, valorizando todo o conhecimento que o educando já possui.

Por fim, a tarefa de educadoras e educadores de hoje inclui a luta por políticas públicas de respeito aos direitos fundamentais dos cidadãos, entre eles, o da escola, do trabalho e do respeito à dignidade humana. E a escola deve ser, sempre, um espaço coletivo de construção de direitos e deveres do cidadão, primando por valores éticos e morais, resgatando, assim, o exercício da cidadania, da ação participativa, valorizando mais o diálogo, a escuta, a solidariedade e a criatividade.

Já passou do tempo do professor assumir a tarefa de ser o mediador do conhecimento dos estudantes, tornando-se o responsável pela educação das novas gerações.

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