
Com a oposição controlando os rumos da CPMI do INSS, cresce o risco de a comissão se transformar em palco de desgaste contra o governo Lula, deixando de lado apurações sobre contratos e falhas herdadas da gestão Bolsonaro
A CPMI do INSS, com apoio decisivo de partidos do Centrão e da nova federação partidária (PP e União Brasil), acendeu um alerta no Palácio do Planalto.
Mais do que fragilizar a articulação política, o episódio levanta outra preocupação: o risco de a comissão servir de ferramenta de ataque ao governo do presidente Lula, ocultando falhas e eventuais corrupção herdadas da gestão Jair Bolsonaro.
Riscos da CPMI perder seu caráter de investigação
Como a oposição conquistou maioria em votações estratégicas, passa a ter maior poder de ditar a pauta dos trabalhos, decidir convocações e influenciar o relatório final. Isso significa que ministros da Previdência e da Casa Civil podem ser chamados a depor, enquanto dirigentes e ex-integrantes do governo anterior, responsáveis pela digitalização acelerada do INSS e pela fragilidade de contratos firmados no período, tendem a ser poupados.

Analistas políticos apontam que o risco é a CPMI perder seu caráter de investigação ampla e se reduzir a um palco de disputa eleitoral antecipada. “A comissão tem potencial para revelar problemas estruturais do sistema previdenciário, que atravessam diferentes governos. Mas, na mão da oposição, pode acabar servindo apenas para desgastar Lula, blindando práticas do passado”, avalia um cientista político ouvido pela reportagem.
Manobras de proteção
Parlamentares governistas também enxergam manobras de proteção. Nos bastidores, aliados de Lula afirmam que contratos e decisões tomadas entre 2019 e 2022 merecem investigação, já que foi nesse período que fraudes bilionárias começaram a ganhar escala.
No entanto, com o Centrão agora dividido entre pressões por mais espaço no governo e interesses de autodefesa, há baixa disposição em avançar sobre esse terreno.
Arena de guerra política
Enquanto isso, a oposição prepara novas ofensivas na CPMI e sinaliza que usará o colegiado para questionar diretamente a atual gestão.
A disputa em torno da comissão, portanto, pode não apenas expor fragilidades do Planalto, mas também enterrar apurações sobre irregularidades ocorridas no governo anterior, transformando a CPMI em mais uma arena de guerra política.




